Blodeuwedd, a coruja

Disclaimer: The Gazette não é meu, nem seus integrantes.

Shippers: Uruha x Ruki, Aoi x Uruha, Reita x Ruki (os dois últimos apenas citados)

Categoria: Comédia, Romance, Yaoi(Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: não betada

Sinopse: Uruha está dividido entre seu complexo ninfo e seu amor. Mas o seu complexo ninfo se aliou a um adversario desleal...

Make me Feel!

Como um animal. Você não pensa, não raciocina, somente deseja. Como nunca tinha desejado antes. Não é nem mesmo um sentimento, somente uma vontade avassaladora de prensa-lo contra a parede mais próxima e exigir dele tudo o que ele insiste em ficar oferecendo a você nos lugares mais impróprios. É Uruha, você acabou de cair na armadilha “Ruki”.

- O que foi Uruha? Você está tão corado...

Kai, o cara que trás todo mundo de volta a realidade. E você se vira sorridente, mais uma vez, e responde que está um pouco cansado de ensaiar. E está mesmo...Ruki para de exibir aqueles benditos lábios pra você um pouco, talvez tenha percebido que está exagerando. Ou talvez tenha percebido os olhares do Reita. Você nem sequer olha pro Reita, ele deve estar espumando de ciúmes agora. Aoi, coitado, não percebeu nada. Seu Aoi, seu amor. Pensar no Aoi faz você perceber o quão absurda é essa vontade de pegar o Ruki de jeito. Realmente de jeito...Oh não, ensaiar, é disso que você precisa! Esquecer um pouco seus próprios instintos. Não importa que já esteja com os dedos duros de tanto tocar.

- Hey! Chega né gente, estamos ensaiando a nove horas seguidas! O Uruha ta até com cara de quem ta passando mal. – Reita diz, realmente parecendo cansado. Você parece absolutamente estranho, percebe ao se olhar no grande vidro espelhado a frente. Ou será que Reita está fingindo e quer mesmo é dar uma boa lição no Ruki, a sós? Com certeza ele merece, você pensa... mas é melhor nem pensar em que tipo de lição Reita poderia dar no baixinho...sua imaginação no momento esta meio perigosa.

“Eu é que mereço uma lição do meu namorado por estar pensando...essas coisas” e você sorri docemente para Aoi, que lhe sorri de volta.

Todos concordam com a cabeça, os dias tem sido cansativos, sempre com ensaios e entrevistas... Você pensa que o melhor é ir pra casa, tomar um banho – gelado – e dormir. Até mesmo Kai parece exausto e nem mesmo guardou as coisas direito antes de pegar a chave do carro e sair. Reita enlaçou Ruki pela cintura e saiu, você estranhou ele parecer tão...normal. Será que não percebia as indiretas do Ruki? Estavam tão na cara!

Quando se viu sozinho com você, Aoi o puxou para um beijo intenso, mas rápido.

- To exausto Uru...tudo bem se a gente não sair hoje?

- Claro, amanhã não tem muita coisa pra fazer, a gente sai

Três meses. Três longos e deliciosos meses com aquele moreno...e você com vontade de estragar tudo por causa de um pirralho provocante e sensualmente frágil, com os lábios mais desejáveis e a pele mais quente que você já teve o prazer de imaginar. Sexo, como sempre. Tudo não passa de sexo.

Você começa a arrumar as coisas direito, pensando que deve procurar um profissional pra tratar dessa sua libido exagerada. Com certeza tem algo errado com você, para de um dia para o outro começar a notar provocações onde talvez nem existisse nada. E justo com o Ruki! Aquele seu Ruki, seu pirralho, seu protegido...nunca aquele Ruki tão incrivelmente sensual que andava imaginando nos últimos tempos. E você está tão concentrado nisso que nem percebe que justamente o foco de todas as suas atenções está parado a porta, olhando cada movimento seu com uma cara de puro tesão.

- Hey Uruha-kun...

Você da um pulo e nesse pulo deixa a guitarra escorregar de mal jeito, e num impulso arraigado de guitarrista você sacrifica seu dedo em prol do instrumento. Um corte pequeno por causa das cordas, que começa imediatamente a sangrar. Ruki olha falsamente preocupado, e anda até você com uma perfeita cara lavada.

- Toma mais cuidado Uruha! – diz, a voz absolutamente magnífica dele parecendo envolver os seus sentidos como nevoa.

- Você me assust...

Você não chega a terminar a frase, porque Ruki tinha pegado sua mão entre as dele e agora punha naquela boca absurdamente molhada seu dedo ferido, chupando as três gotas de sangue que se formavam. Boca...seu dedos...movimentos sensuais com a língua...não! Não eram movimentos sensuais, era só o velho Ruki de sempre tentando ajudar. Não tem nenhum, absolutamente nenhum motivo pra você sentir sua pele formigando de antecipação. Não há nada pra se antecipar!

E ele sorri, quase inocentemente, tirando seu dedo da boca.

- Quer fazer um curativo?

- ...n-não precisa. Você não tinha ido com o Reita?

Ele para por um instante, pensando, como que para se lembrar de quem era Reita. Você fixa seus próprios olhos nos olhos fixos dele, controlando-se para não suspirar aquela visão daqueles cílios. E da boca...que atualmente você nem mesmo quer encarar, para não ter idéias constrangedoras.

- Eu esqueci meus óculos1, e ele precisava ir no banco.

Você ri entre um suspiro. Uma coisa normal, absolutamente comum de se acontecer. Sempre alguém esquece os óculos...sempre alguém precisa ir no banco. Nada premeditado para enlouquece-lo, como parece. Ruki se afasta, dando-lhe a impressão de uma lufada de ar fresco, e começa a procurar perto das caixas de som. Você vai ajudar, não muito próximo, somente para não reparar no jeito indescritível com que ele mordia o lábio inferior de leve, um típico gesto de preocupação. Nem no corpo definido dele, aparecendo por baixo das roupas brancas. Nem nas mãos, agarrando cada cabo mais grosso e o afastando, de modo a evocar imagem completamente indecentes na sua cabeça.

E então, ele se inclina. Sobre a caixa de som maior, aquele que faz ele ter que se debruçar completamente sobre ela para poder pegar algo, provavelmente os óculos, que tinha caído atrás. Ele se inclina, sua bundinha perfeitamente redonda se empina, ainda mais marcada na calça naquela posição. Você jura, por um instante, que seu corpo não vai obedecer ao cérebro e vai caminhar direto praquele tesouro de carnes, apertar, tocar, sentir... E antes que isso aconteça você vira-se de costas e se joga no sofá, com a cabeça enterrada nas mãos, suplicando aos céus que ele vá embora logo. Ruki, ainda com o corpo todo posto daquela maneira gritante de ‘me coma’, apóia o braço sobre a caixa e olha por baixo dele para você.

- Uruha, pode me dar uma mão aq...o que foi?

Ele percebe seu estado, totalmente descontrolado. Mas mesmo assim fica naquela posição. De propósito? É o que parece, mas você não confia nem um pouco no seu julgamento. Você disfarça, usando cada resquício do seu auto-controle para fingir que esta tudo bem, e levanta-se.

- Cansado. – resmunga indo ajudar a pegar o bendito do óculos

Ruki é pequeno. Deliciosamente pequeno. Talvez depois de tanto tempo levando do Aoi, você esteja desejando simplesmente dominar um pouco...e Ruki é pequeno. E não consegue alcançar o inferno dos óculos atrás da caixa. Você é alto, e grande, e alcança-os mesmo por cima do Ruki. E seu corpo finalmente se rebela, e quando você vê já se debruçou sobre o vocalista pra alcançar o objeto. O alcança fácil, seus braços são longos, mas então tem a mais plena consciência que esta prensando o Ruki contra a caixa e seu próprio corpo. Seu quadril está colado aquele mesmo traseiro empinado que só de aparecer já o fez perder o controle, seu tórax esta sobre as costas lisas dele, seu rosto é roçado levemente pelos cabelos cheirosos dele, e a vontade de sentir aquele cheiro mais profundamente é enorme. Você sabe que nesse momento está tão vermelho quanto uma lanterna de ano novo, e afasta-se tão rápido dali que tropeça nos cabos e quase vai ao chão. Uma mão ágil e rápida segura antes a frente das suas vestes, mas Ruki é leve de mais pra segura-lo, e vai ao chão junto com você. Sobre você. Esta corado também, embora muito mais levemente que você.

- AHH

- URUHA!

Suas costas doem, os cotovelos que usou de amortecedor, os óculos na sua mão estão tortos. Mas o que mais lhe preocupa, nesse exato instante, é Ruki com uma perna no meio das suas, olhando-o com um leve rubor nas faces, e plenamente capaz de perceber algo que só agora você notou. Suas calças mais apertadas que a alguns minutos atrás. Um volume, um maldito volume, o suficiente para fazer você querer enfiar a cara na terra e cavar até o Brasil.

Mas Ruki não parece disposto a sair de cima de você tão cedo. Ele ergue o tronco, pega os óculos da sua mão e os dobra cuidadosamente, pondo de lado. Em seguida vira-se com um sorriso indefinível no rosto, postando uma mão de cada lado da sua cintura, no chão.

- Uruha...isso não é um drops...é?

Você, achando que já tinha chegado ao limite de rubor, prova pra si mesmo que os tons vermelhos da sua pele podiam ser tornar ainda mais intensos. Você vira a cabeça, desviando o olhar para algum ponto do soalho, e gagueja uma resposta mal ouvida e completamente incoerente.

- ...n-nã...er...é...s-sim...di-g-go...

Não consegue se reconhecer, você, o cara mais seguro de si da banda, chegando ao extremo de ser narcisista, está simplesmente sem ação por causa de um baixinho exalando malicia por todos os poros. E um baixinho que agora está... se esfregando em você!

Não, você não fica mais vermelho. Dessa vez fica branco, como um papel de arroz. Ruki está se esfregando levemente em você, com o rosto cada vez mais próximo, um sorrisinho completamente pervertido no rosto. Você nota, só então, que não é o único alegrinho com a situação. A algo mais na calça dele também... e não parece algo pequeno.

Uruha...cala a boca tá... – ele murmura antes de colar os lábios dele nos seus. Aqueles lábios que nos últimos dias você imaginou fazendo coisas completamente impublicaveis. E talvez impossíveis. E eles são ainda mais macios e quentes do que você pensava, e provocam-no com lambidas, chupadas, mordidas... Fuckin Jesus, como Ruki beija bem!

Você sabe que o volume na sua calça está aumentando consideravelmente, e o dele também está. Você sabe, bem no fundo do subconsciente, o que vai acontecer. Mas simplesmente não consegue impedir. Não pode, seu corpo nunca deixaria. Seria capaz de ter um colapso se tentasse. Por isso quando sente as mãos pequenas e quentes dele adentrarem por sua blusa, você somente deita-se de uma vez e suspira. Muito bem Ruki, faça o que tanto quer...

Mas não assim tão bem! Um segundo de olhos fechados, e quando você os abre ele já esta acabando de arrancar a própria blusa. Isso te deixa meio assustado, com mais consciência do que está fazendo. Vai, de verdade, transar com o Ruki! Mas e o Aoi?! E o Reita?!

- ...R-Ruki...

- ...nem tente ter uma crise de consciência Kouyou – sério. Ruki está serio.

Você sempre pensou que Ruki no sexo fosse um escandaloso que soltava gemidos desde o começo, mas agora ele realmente está concentrado em desabotoar sua blusa, e até o chamou pelo nome verdadeiro. Mesmo vindo de quem veio, aquilo lhe da um pouco de medo, que só serve pra aumentar a excitação.

Você, ignorando completamente a posição desconfortável em que está, ergue os braços e desabotoa a calça dele lentamente, igualmente sério. Seu cérebro grita claramente ‘pare’, mas seu corpo está resistindo a ordem. Principalmente porque Ruki resolveu rebolar sobre seu quadril e dar mais um daqueles pequenos sorrisos maliciosos. Você ergue o tronco um pouco para beija-lo mais uma vez, selvagem, e acaba distribuindo mordidas pelo pescoço dele, enquanto aquelas mãos habilidosas passeiam por seu tronco estimulando cada ponto mais sensível como se tivesse feito isso muitas e muitas vezes antes. Se a situação não fosse absurda, você juraria que Ruki andou conversando com Aoi...

Aoi. Num impulso você empurra o vocalista pra longe e sabe pelo gemido baixo de dor que ele bateu em algum lugar. Levanta-se cambaleando, meio de gatão, e tenta chegar a porta. Aoi, não pode fazer isso com Aoi, simplesmente não pode. Ele é tão bom e atencioso...

- Uru-chan...ts ts

Não seria nem um pouco lógico se virar agora. O melhor, e qualquer um vai concordar, seria sair correndo dali e ir pra casa. Mas a voz do Ruki...você se vira, e o vê jogado entre os cabos, sem blusa e com as calças no meio das coxas claras e quentes. Lábios entreabertos, vermelhos, aquele sexo tão claramente necessitado por baixo da roupa intima...E você para, novamente perdido no próprio desejo de possuí-lo. Ele engatinha até você, deixando pra trás no caminho as calças inúteis, deita-o novamente no chão, agarrando seu membro com as duas mãos por dentro da cueca. E massageia, fazendo você morder o lábio e segurar um gemido.

- Eu não...Aoi...

- Ele pode..não ter tanta consideração assim...– uma frase meio enigmática praquela situação, mas que importava quando deixando os próprios dedos de lado, ele se abaixou e começou a chupar você de modo que nem querendo seus gemidos foram contidos.

E ele mexia aquela boca deliciosa sobre seu membro, de baixo pra cima e depois voltando, seguindo uma veia saltada no caminho. Depois mordidinhas na glande, até finalmente colocar na boca até o possível. Ruki é pequeno, sim...mas cabe muita coisa dentro daquela boca. E a língua ágil e treinada trabalha muito bem. Chega ao ponto de você duvidar que vá agüentar mais alguns minutos se quer.

Mas Ruki não quer engolir sua goza, quer você dentro dele. Com tudo. Ele se levanta e vai até a mesma caixa de som que começou tudo aquilo, e apóia-se sobre os cotovelos de costas para você. Olha pra trás, com um sorriso que diz ‘venha’ com todas as letras. E você se levanta do chão, ainda cambaleante, se posta atrás dele e o penetra com força, tanta força que faz ele gritar de dor. Pequenas lagrimas surgem no canto dos olhos dele, penetração sem lubrificante realmente doía, mas afinal ele começou não? E Ruki é tão apertadinho! Segurando a sua cintura pequena, você ainda espera alguns minutos para que ele se acostume a sensação, antes de dar mais uma estocada forte. Novamente um grito, mas dessa vez ele foi mais gemido e mais prazeroso. As unhas do pequeno arranham com força a superfície em que está, mas você não pode ver o rosto dele direito. Desce uma das mãos até o sexo pulsante dele e faz alguns movimentos, dessa vez arrancando gemidos puros.

- U...ruha...ah...me come...hn...

Não, você não resiste nem um pouco ao pedido, e começa a entrar dentro dele com força. E cada vez mais rápido. Sabe que está gemendo, e Ruki sem duvida que está gemendo, como se gemer fosse a única coisa a se fazer no mundo. Alto, longo, lânguido e excitante. E no mesmo ritmo em que adentra nele com força, você o masturba, sem dó. Não deve estar sendo fácil pro baixinho, tudo aquilo deve estar doendo mesmo. Mas ele grita e grita mais e implora por mais força. Então ele dá um grito diferente, você percebe que atingiu aquele ponto, aquele que te da tanto prazer também...Sem hesitar, você o atinge de novo ali, e sente os joelhos dele completamente fracos. Se não estivesse apoiado, com certeza estaria no chão agora. Você o segura melhor, apertando contra si, suando e percebe, não vai demorar nem mais um minuto para os dois gozarem.

Ele grita e se inclina pra trás, agarrando seus cabelos, e você sente sua mão cheia de sêmen dele, realmente cheia. Em seguida ele apóia completamente o corpo na caixa de som e ergue sua mão na altura da boca, lambendo o próprio liquido de uma maneira tão deliciosa entre os gemidos que numa ultima estocada você também explode, e tem que se apoiar nele pra simplesmente não desabar. Deuses, a goza perfeita. Entre todas as vezes que fez sexo por sexo, essa com certeza foi a melhor e você sabe.

E lá está você ainda dentro dele, arquejando, e prensando-o contra o equipamento. Com cuidado, sai de dentro dele e se joga no sofá dali, enterra o rosto nas mãos mais uma vez e segura as lagrimas.

“Eu...sou um grande idiota! IDIOTA! É O RUKI!...Aoi...será que um dia você vai me perdoar por isso...querido...” pensamentos que passam pela sua mente. Então você ouve a voz dele de novo, rouca e cansada.

- Uau...Uru-chan...nossa...

- ...Ruki, isso foi...muito...muito...errado.

O baixinho ri, ainda todo apoiado na caixa de som, ri alto e escandalosamente.

- Eu disse a eles que você nunca resistiria... – murmura, abaixando-se com cuidado para pegar as próprias roupas. Ele anda bem lentamente e você sabe porque. Duvida que ele vá conseguir sentar até mês que v... como assim disse a eles?!

- ...Ruki, você não...o Aoi não...?! – ele se vira e o vê completamente branco, os olhos completamente arregalados.

- Nãão... – responde, mas a negativa não o convence, principalmente porque Ruki olhara para o vidro espelhado do outro lado da sala. Uma idéia deixa você completamente paralisado.

Eles viram.

Você, quase que em um segundo, pula do sofá, enfia sua cueca pelas pernas e abre a porta da sala. O vidro espelhado dá para a sala de edição de som, um lugar escuro cheio de cadeiras e mesas com milhares de botõezinhos. Mas a sala está vazia.

Você fecha a porta e se vira para o maldito baixinho vocalista, que novamente está gargalhando as suas custas.

- Maldito! Ruki... e depois eu sou o pervertido da banda!!

- Mas você é Uru-chan... só não é o único. – Ruki piscou, andando até você com as calças ainda desabotoadas e sem camisa, e ergue sua mão, ainda melada de manchas brancas meio lambidas. Ele ri e beija a palma de sua mão.

- Muito obrigado, foi ótimo. – e arrastando a camisa trás de si, ele sai da sala.

Ele tem razão, você é um pervertido. E pelos próximos dias vai passar horas e horas compensando seu namorado pelo descontrole. Quer ele saiba... ou não.

[1] Pra quem não sabe, o Ruki é cego XD 0.5 graus de cada olho, acho.

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Blodeuwedd, a coruja

Disclaimer: ºajeita os bigodes falsos na caraº Bom dia, eu sou o diretor da P. S. Company... e o The Gazette me pertence! É todo meu! Muahahahaha!!

Shippers: Reita x Aoi, Reita x Ruki, Aoi x Uruha (últimos dois apenas citados)

Categoria: Comédia, Romance, Amizade, Yaoi(Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: não betada

Sinopse: Dois caras que tem problemas com os respectivos namorados...mais muitos copos de cachaça...é igual a que?

Notas

You and Me Man

E lá esta você, mais uma vez, se encaminhando para seu bar preferido, prontinho pra encher a cara com o que estivesse mais barato ou forte. Ou os dois. Mais uma vez, mais uma briga, e mais um porre, como sempre. Como um ritual, depois de todas as brigas. Você fica se perguntando qual o problema do Ruki, porque ele tem que ser tão mimado o tempo todo. Ta, talvez a culpa seja sua, talvez você mesmo faça todas as vontades dele porque aquela carinha de criança inocente consegue convence-lo a fazer quase tudo. Quase.

Porque nem mesmo um completo imbecil aceitaria admitir um relacionamento desses para todo o Japão.

Você entra no bar e fica surpreso ao deparar com Aoi encostado no balcão, com uma pequena pirâmide de copos vazios a frente. Bem, quando qualquer um deles queria se embebedar, ia aquele barzinho pequeno e sujo, porque todos estavam bêbados de mais para reconhecer até a própria mãe ali. Quanto mais roqueiros não produzidos num dia ruim. Você se senta ao lado do guitarrista, reparando nos olhos um pouco vermelhos dele, como se estivesse chorando. Da um pequeno tapinha nas costas dele chamando a atenção para si.

-...ãhn? Ah, Reita...

Você repara que, pelo tom de voz, o moreno já havia bebido ao menos duas daquelas pirâmides de copos. Com um gesto para o barman você pede um da mesma coisa, sem se importar com o que é.

-Está comemorando alguma coisa Aoi-shi?

-...estou sim...a primeira briga. – responde apoiando o rosto na mão esquerda, pedindo mais um copo com a direita.

-Ah... – você pega seu copo e bebe, descobre que é algo forte e puro, uma vodka menos destilada. Aquilo deixa você meio tonto imediatamente - ...teve ter sido horrível, julgando por isso aqui... – fala engolindo a tosse.

Aoi olha pra você, uma expressão de desespero e incredudilidade, fazendo gestos largos com as mãos

-Ele é louco! Uruha é louco! Ele quer filmar...bem, nós dois! Imagina se isso sai na internet?!

-Diga isso pra ele – Você dá ombros e pede mais um copo.

-Eu disse! Sabe o que ele me falou?! “Eu não ligaria se todos soubessem”...como ele pode não ligar?! Ele tem fogo de mais, aquele homem...e isso no Hawaii se chama cachaça...

Você solta uma risada amarga, balançando a cabeça. Aqueles dois tinham um sério problema, Ruki e Uruha...com suas idéias de mundo bonitinho onde todos aceitam qualquer coisa. E onde namorados não se cansavam nunca. Disse isso a Aoi. Os copos de bebida tornavam a discussão mais inflamada, e palavras de apoio mutuo cada vez mais eloqüentes. Por quanto tempo vocês dois ficaram discutindo a insanidade dos companheiros, você sinceramente não sabe. Sabe mesmo é que Aoi mal se agüenta nas próprias pernas, com a tal da cachaça...você, como bom amigo que é e sempre foi, se manteve sóbrio só o suficiente para se lembrar do caminho até a casa dele. Com as pernas muito pouco firmes, você se levanta e ajuda o moreno a se manter de pé também, apoiando o corpo surpreendentemente magro dele no seu. Não se lembrava de Aoi ser tão magro e leve antes, será que ele andava fazendo regime? Abre a porta do seu carro com um pouco de dificuldade, Aoi apoiado em você completamente, resmungando em seu pescoço.

-Ele sempre é impulsivo...eu queria entender o Uruha...queria mesmo...

-Claro, um dia você entende...entra ae, eu te levo pra casa – você resmunga de volta, socando-o pela porta aberta e se desequilibrando feio ao fazer isso. Na verdade você da de cara com o colo dele, como naqueles desenhos hentais que assistia quando era adolescente. Você ri, lembrando disso, ri alto. Está mesmo bêbado. Aoi esta estranhamente quieto, olhando você se levantar da posição constrangedora com o canto dos olhos.

Você fecha a porta, contorna o carro e senta-se no banco do motorista. Respira fundo antes de ligar o carro, e começa a dirigir com extremo cuidado. Bem, talvez tenha se distraído uma ou duas vezes com um pensamento qualquer e subido em cima da calçada, mas quem liga pra coisas tão pequenas? Aoi parece que liga, aperta o cinto e inclina-se em sua direção pronto pra arrancar a direção de você a qualquer momento. Ele suspira aliviado ao ver a portaria do próprio prédio, e nem espera sua ajuda para descer trançando as pernas do carro.

-Reita, sobe.

-...eu acho que vou voltar pra casa...

-Se continuar dirigindo desse jeito, vai chegar é no hospital. – ele fala arrastando, te puxando carro afora e o empurrando portaria a dentro.

É, talvez ele tenha razão, você pensa, ao olhar para trás e ver que tinha algo parecido com uma bicicleta em baixo do seu carro. Vagamente parecido.

Quando vê você está prensado entre o elevador e o corpo do moreno. Aconteceu rápido, você não sabe bem como. Aparentemente ele tropeçou enquanto te empurrava para dentro do elevador, e usou seu corpo como apoio. Você passou seus braços pela cintura dele por puro impulso. Mas não entende nem um pouco a cara estranha que ele esta fazendo. Pelo menos até ele fechar os olhos e colar os lábios nos seus.

Paralisado, completamente. Como se estivesse congelado do lugar. Você nem mesmo respira, nem fecha os olhos, nem o afasta, nem sequer pensa. Demora na verdade uns dez segundos para um pensamento surgir e ir diretamente do seu cérebro para a boca.

-O QUE PORRA VOCÊ ESTÁ FAZENDO?

Um bip, o elevador abre as portas em frente ao apartamento do guitarrista. Ele olha diretamente nos seus olhos.

-Tentando entender ele...tentando ser impulsivo...

Dessa vez você fecha os olhos. Sim, fecha, embora ainda em choque. Talvez porque as mãos habilidosas do guitarrista o tenham puxado de jeito pela cintura, talvez porque os lábios macios e provocantes dele, com aquele toque frio de metal tivessem tirado momentaneamente sua razão, ou talvez porque esta bêbado como um porco. Provavelmente porque esta bêbado.

Aoi o puxa para fora do elevador antes que as portas se fechem, e o prensa contra a própria porta. Ele não esta raciocinando, você bem sabe. Nem um pouco, ele esta completamente bêbado, agindo por impulsos do próprio corpo, coisas que nunca faria sóbrio. Mas você tem um pouco de sanidade ainda não tem? Não tem?! Bem, talvez não. Suas mãos sobem sem que as perceba para a cintura pequena do outro, e seus lábios se abrem, finalmente, permitindo a passagem de uma língua ávida. Algo brilhante na mão do moreno, um barulho de fechadura abrindo, em um segundo você sente o apoio das costas sumir e seu corpo ir para trás. Aoi parece bem menos bêbado depois do susto no carro, porque o segura antes que caia e puxa contra si. Deve ter empurrado a porta com o pé, ela bate com estrondo. O barulho o acorda do sonho louco e ébrio em que estava metido.

-Aoi, não! – consegue gritar antes que os lábios carnudos e inegavelmente deliciosos dele voltassem a sua boca.

O moreno para, olhando para você, olhos turvos. Pela bebida e pelo desejo. Sim, ele o queria, naquele momento queria ser seu. Mas não podem, nenhum de vocês pode. Uma briguinha a toa com namorados não justifica... o que estavam fazendo! Ele avança novamente, mas antes que possa se aproximar de mais você o vira e empurra em direção ao banheiro.

-..q-que você está fazendo Reita? – ele vai sem resistência, não entende perfeitamente sua lógica.

-Te colocando de baixo do chuveiro - você tampouco entende sua lógica, mas banhos aparentemente ajudavam as pessoas a se livrarem do álcool. Ao menos é algo que você viu num filme...ou talvez tenha feito na adolescência com algum amigo...ah, não importava.

Chuta a porta do banheiro e abre as torneiras no máximo, molhando-se ao fazer isso. Bom, ao menos você também acorda e se livra da incomoda sensação de calor no ventre baixo. Vira-se para puxar Aoi para dentro do chuveiro e o vê descalço, a calça desabotoada e a camisa acabando de passar pelo pescoço. Realmente, ele é muito magro, mas tem músculos perfeitos na barriga...e braços fortes também. E a julgar pelo volume dentro das boxers visíveis pelo zíper aberto, ainda estava alegrinho. Você engole em seco, forçando-se a desviar o olhar daquela semi ereção, e o empurra de roupas mesmo para a água. Aoi sorri um sorriso infantil, quando a água bate em seu cabelo, virando o rosto para cima e esticando-se.

-Água é legal...vem cá.

-N-não Aoi, isso é pra você ficar sobr...

Não termina a frase, é puxado para baixo do chuveiro largo de água morna. Tenta abrir mais as torneiras, ignorando que o guitarrista está abraçando-o e lambendo seu pescoço molhado ainda com o sorrisinho no rosto. Ele sussurra, vendo seu fracasso.

-Não esfria...eu odeio água fria...

Sua roupa esta ensopada, seus sapatos podem ser jogados fora, assim como sua dignidade. Porque sentir a perna do moreno roçar em meio as suas, sussurros com água e lambidas estava realmente fazendo-o ficar ainda mais tonto e confuso, e novamente suas mãos começaram a trabalhar sozinhas. Você protesta, com voz firme até, mas suas mãos sobem pelo tórax nu e molhado do outro, fazendo aquele sorrisinho sacana aumentar.

-A-Aoi...para, para...o Uruha...

-Eu só estou fazendo isso pra entender ele... – o guitarrista murmurou de volta, livrando-o da sua blusa molhada – foi assim no começo...estávamos bêbados...ele me forçou...assim como eu estou forçando você...e você esta gostando como eu gostei...

Você pensa em dizer que está odiando, mas ao olhar para baixo percebe que seu corpo não o deixa mentir. Por baixo das suas próprias boxers (hey, quando a calça tinha ido pro chão?!) estava um volume semi ereto e ao que tudo indicava, crescendo. Aoi se aproveita do fato de ser maior e fica forçando-o contra a parede, passa a língua por cada ponto que alcança sem desgrudar o tórax do seu. Você tenta afasta-lo, mas não consegue, realmente não consegue. Não é como Ruki, que faz você subir pelas paredes em dois segundos, mas não da pra negar que Aoi é bom naquilo. De um jeito muito mais másculo e forte. A bebida não o deixa raciocinar direito, e a água cai em seus olhos embaçando a visão. A única coisa que lhe resta é o tato. Mas ele não vai para os lugares certos, como a porta do box. Não, sua mãos agora resolveram descer para o membro dele. Por Kami-sama, aquilo está mesmo rígido! Roça na sua virilha, na sua coxa, excita-o ao ponto de faze-lo gemer baixo e desistir de tentar resistir.

Aoi se afasta, olhando-o nos olhos por entre a cortina translúcida de água. Você abre a boca para xinga-lo. Sim, você quer xinga-lo, só não sabe se é por ter começado aquilo ou se é por ter parado. Ele parece arrependido?

Nem um pouco. Ele se ajoelha na sua frente e abaixa aquele resto de tecido que sobrara até seus joelhos. Segura seu membro pela base, fazendo movimentos de vai e vem fortes, machucariam se não estivesse molhado. Então vem a boca. Desta vez um palavrão sai pela sua boca, em inglês mesmo, como em filmes de ação.

-SHIT!

Automaticamente seus dedos agarram forte os cabelos dele enquanto a outra mão arranha os azulejos inutilmente. Ele não perde tempo com brincadeirinhas, coloca tudo na boca, tudo mesmo. Você sente a garganta dele na sua glande, sente aquele piercing deslizar até a base, e as chupadas. Não da pra não gemer com aquelas chupadas. A língua do guitarrista é hábil, pressiona os pontos certos. Parece querer realmente sugar tudo de você. Você fecha os olhos, tentando aplacar o restinho de consciência, tentando imaginar ali outra pessoa. A sua pessoinha. Até consegue, e imagina tão forte que sente que não pode se divertir sozinho ali. Pelos cabelos você puxa Aoi para cima e toma os lábios dele num beijo selvagem e desesperado. No segundo seguinte ele é virado e se apóia sem muita firmeza na porta de vidro. Seus olhos batem de relance no condicionador e você não pensa duas vezes antes de espalhar uma quantidade generosa do produto na própria mão. O guitarrista fica muito mais sóbrio ao sentir seus dedos deslizando pelo traseiro empinado dele até achar o que queria.

-R-Reita...n-não...espera...

-Você começou Aoi – sua voz sai num rosnado quando dois dedos abrem espaço naquela entrada úmida e começam a se movimentar, tentando relaxa-lo.

-...e-eu não posso...gomen...eu não poss...hn... – ele aparentemente muda de idéia quando outro dedo seu abre espaço e faz movimentos circulares. Você o sente relaxar, mas mesmo relaxado o moreno é tremendamente apertado.

Virgem. Você nota imediatamente. Virgem como uma garotinha inocente. Realmente Uruha é um viado, você pensa deixando escapar uma risada baixa que aos ouvidos do outro, que nem seu rosto pode ver, parece meio assustadora.

-Reita... – ele está tremulo?

-...eu não vou parar. – você espalha mais uma quantidade de condicionador no próprio membro, um pensamento muito bêbado aparecendo na sua mente – será que meus pentelhos vão ficar macios?

Ele não consegue não rir, e assim que você sente que ele está novamente relaxado, posiciona-se direito. Aoi apóia-se com as mãos espalmadas e aperta os olhos, se preparando. Mas você é delicado, tem que ser. Ruki não gosta, mas é pequeno de mais pra ser invadido com tanta força. Aoi não é pequeno, mas é virgem, o que da na mesma.

Lentamente seu membro desliza para dentro dele, segurando sua cintura delicadamente. Até o fim. Os dois gemem, você de prazer e Aoi porque estava doendo pra cacete. Ele grita isso pra você, na verdade.

-ESTÁ DOENDO PORRA!

Seu corpo se inclina sobre o dele, sem se movimentar, sua mão alcança o membro dele e começa a masturba-lo do melhor jeito que conhece. Você sabe que dói, porque apesar de tudo você não é virgem. O baixinho já conseguira isso também com a cara inocente. Uma só vez, claro. Bom, até que Aoi se acostume, é bom ter uma distração, e ao que parece ele gostou da distração.

-ahn...ah!...hn...m-ais...ahn...

Realmente ele é barulhento. Você intensifica os movimentos, mas mal pode agüentar seu próprio corpo pedindo por alivio também. Você faz um movimento dentro dele, os gemidos mudam para dor novamente, mas não parece um dor tão forte dessa vez. Seu corpo não pode esperar mais, você começa a estoca-lo deixando escapar gemidos baixos e roucos por entre os lábios entreabertos. Não consegue ver o rosto dele, mas ao que parece o moreno fechou os olhos e morde aquele piercing sexy para não ser ainda mais escandaloso do que está sendo. Ambos estão chegando ao nível de delírio, mas precisam de mais.

Você dá mais. As estocadas se tornam curtas e rápidas, sua mão também trabalha ferozmente, os gemidos dos dois aumenta de volume e intensidade, o corpo do moreno vai para frente todas as vezes que você o atinge. Ele joga o quadril para trás e sem querer você acha. Sim, aquele ponto, aquele que faz ele esquecer da existência de vizinhos e gritar alto algo ininteligível.

Você sorri de canto, acertando repetidamente aquele ponto. Percebe o corpo dele estremecendo inteiro e segundos depois sua mão está cheia do sêmen dele, logo lavado pela água incessante. O grito rouco que Aoi dera o fez ir ainda mais rápido, ou seu corpo iria explodir, com certeza. O outro está mole em seus braços mais ainda não deixou de gemer, e agora você pode segura-lo com as duas mãos pelos quadril tremendamente flexível dele.

Então você chega ao seu próprio limite, aquele corpo tão apertado em volta do seu membro vence e é completamente preenchido, até a sua ultima gota. Sua cabeça pende para trás e deixa escapar um gemido alto e longo. Perde completamente a noção de mundo por vários instantes.

Acorda só pra ver, entre o vapor, um Aoi tremulo tentando respirar novamente. Em meio ao vapor que embaçava tudo, você sai de dentro dele e escorrega pela parede oposta até o chão. Aoi cai de joelhos, de costas pra você, tenta sentar-se sobre os próprios calcanhares. Desiste da idéia com uma careta de dor. Estica o braço e desliga a água.

Sem o barulho constante da água você pode ouvir sua própria respiração acelerada, e sua consciência. Não, nem tanto, você ainda está bêbado de mais. Banho não resolve coisa nenhuma. O guitarrista se levanta e some para outra parte do apartamento. Vários minutos depois você o segue.

-...Reita, isso foi errado.

Sóbrio, finalmente!

-Eu sei que foi.

-Não conta pra ninguém, por favor?

Você se joga no sofá, uma pontinha de dor de cabeça começando a aparecer.

-Sobre você ter me forçado a te comer depois de beber até o limite ou sobre ser virgem como uma menininha?

Ele ri, esquecendo-se que continua nu, senta-se ao seu lado.

-Sabia que podia confiar em você amigo...

-...não se acostuma Aoi. Da próxima vez...eu filmo e coloco na internet.

Você pisca pra ele, deita no sofá e dorme. No dia seguinte acorda com ressaca e encontra um bilhete do guitarrista, que já havia saído.

“Valeu pelo apoio moral - Aoi. Ps: tem uma bicicleta em baixo do seu carro”

E você decide que nunca mais vai beber cachaça na vida.

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Blodeuwedd, a coruja

Disclaimer: Quando meu plano de dominação mundial der resultados, eu tatuarei meu nome na bunda dos gazeboys, e então eles serão meus escravos pessoais. Até lá, não são meus.

Shippers: Aoi x Uruha

Categoria: Romance, Comédia, Yaoi(Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: Bianca TAKA

Sinopse: Uma noite em que todos estão bêbados, os gazeboys esquecem o pudor em casa e aproveitam.

Notas

You make me want to be a man!

Culpa. Você sente culpa. Bem feito. Não devia ter feito aquilo. Você sabe que não devia ter feito aquilo, sabe perfeitamente bem disso. Mas que ser humano no mundo teria feito diferente? Bem, provavelmente algumas pessoas tem um auto controle espantoso, mas é preciso ser quase sobre humano pra resistir aquelas coxas, aquela boca. Ah, Uruha, a perdição do mundo.

Você esta comemorando o ultimo show, bebendo tranqüilamente...bem, talvez não tranqüilamente. Na verdade, você estava tão bêbado quanto um peru em vésperas de ação de graças. Mas todos estão não estão? Até mesmo Kai, que nunca bebe, esta virando sorridente sua quarta ou quinta dose de wisk. E piscando descaradamente para o barman. Se não estivesse caindo de bêbado, você ficaria muito surpreso, afinal é Kai...a fim de um cara. Bem, não que não desconfiasse, desconfiava bastante nos ensaios quando reparava que o baterista de vez em quando olhava de um jeito estranho para a bunda do que estivesse com a calça mais colada. Mas ele era bem discreto quanto as suas preferências geralmente. Geralmente.

Reita e Ruki já não faziam questão de esconder merda nenhuma. A meia hora atrás tinham se levantado da mesa, firmes em suas pernas como se elas fossem de gelatina. Ruki anunciara sem corar nem hesitar. “Vamos pro carro, não nos procurem nas próximas...duas horas, vamos estar ocupados”

Reita riu, ajeitava a bendita faixa e apertava a bunda do menor despudoradamente. E você pensava “Estou no meio de um monte de bichas. Só Uruha-kun salva”. Mas era o maldito Uruha com suas coxas e seus lábios exalando sexo por todos os poros da pele clara. E era obvio que ele não era hétero. Era tão obvio que você se condicionou a pensar que nada tão obvio podia ser verdade. Mas a vida é muito simples, Uruha é tão gay quanto qualquer outro daquela banda, até mais. Por isso estava esfregando descaradamente sua coxa por baixo da mesa. Mas por que, por Kami-sama, você estava adorando aquilo?

Oh, fan-service, palco. Reboladas sexies e olhares perfeitos para as fãns interpretarem como quisessem. Isso os dois faziam com freqüência, fazia parte do trabalho. Mas não estavam trabalhando, estavam num inferninho se entupindo de álcool e relaxando. Bem, podia fazer isso e se divertir. Não! Além do fato obvio de ser HETERO, ainda tinha a banda. Reita e Ruki namoravam, um casal, não amantes ocasionais. Kai era profissional o suficiente para nunca, em nenhum momento, se insinuar pra nenhum deles. Mas se ele e Uruha trepassem por puro desejo, uma única noite, bêbados...bem, não era uma boa idéia.

Você sente a mão do guitarrista subir pela sua coxa até encontrar o alvo. Sim, aquele alvo fervendo de quente, que você nem percebeu que tinha acordado com as caricias. Uruha só dá seus sorrisos maliciosos, só falta dizer “vem transar comigo”

- Aoi...quer sair daqui? Vamos pra um lugar mais calmo... – pronto, agora não falta mais nada. Ele chamou pra fazerem isso! Ao pé do ouvido, com a voz rouca e arrastada por causa da bebida. Você sente arrepios só de ouvir essa voz. Mas então a dançarina praticamente enterra sua cara nos peitos dela, e você lembra que é disso que você gosta, peitos. Não, você nem respondeu, se levantou e foi tomar ar fresco. Andar no meio daquele monte de pessoas sempre é difícil, andar no meio daquele monte de pessoas com um grande incomodo dentro da própria cueca é um saco. Realmente.

Uruha alcança você quando esta saindo do inferninho. Contrastando com a musica e o barulho lá dentro, a rua daquele bairro ruim parece silenciosa e fria de mais. Bom, você acha que com isso pode acordar um pouco do transe que os lábios maravilhosos daquele demônio causam. Mas ele esta lá, ele deixa a rua tão quente quanto o lugar abafado de onde tinha acabado de sair.

- Quer aqui, na rua?

- Uruha...n-não é uma boa idéia...

- Porque?

Droga. A carinha de anjo não! A carinha de inocência era pura sacanagem! Mesmo que o loiro tenha estragado um pouco o efeito prensando-o contra a parede. Uh...como ele é quente! Podia...estava bêbado, tonto..morrendo de vontade de agarra-lo e foder com ele a noite toda. Não! Você tenta, você sai por baixo dos braços dele, andando cambaleante alguns metros.

Olha, ali está seu carro. O carro de Reita esta na frente. Será que você estava tão bêbado assim ou o carro de Reita estava pulando? Uruha chega por trás e o abraça, descendo as mãos para o local que precisa de mais atenção em você.

- Viu, eles estão se divertindo Aoi... eu até ouço o Ruki gemendo...

Sim, dava pra ouvir o Ruki gemendo. Porcaria de Ruki gemendo! Era excitante! Seu carro também estava ali... podia fugir de Uruha nele, ou podia faze-lo gemer exatamente como Reita estava fazendo com o vocalista. Ah, ele aperta seu membro, que já lateja. Você nem mesmo consegue conter o gemido.

Opção dois.

Você procura desajeitado as chaves do carro, onde elas estão mesmo? Uruha somente enfia a mão dentro do seu bolso e as puxa, fazendo questão de nesse gesto apertar mais uma vez sua ereção. Maldito. Maldito guitarrista gostoso que o fazia ter tanto tesão. Se não estivesse tão bêbado...

Ah, que se fodesse o mundo. Você só pensa em prensar ele contra o carro e invadir sua boca no beijo mais alcoolizado e selvagem que já dera. Ele geme na sua boca, geme! Ele fica esfregando as coxas perfeitas nas suas pernas, gemendo baixinho, languidamente. Você está tremulo, enfia a chave de qualquer jeito no carro e o joga no banco traseiro. Ele nem mesmo espera você fechar a porta e já esta desabotoando suas calças, com os dentes! Ah, Uruha-chan... porque tem que ser tão ótimo no que faz? E você invade a boca dele mais uma vez, enfiando as mãos por baixo da blusa dele. Ele geme baixinho mais uma vez, mas agora você quer que ele gema bem alto, como o Ruki...ah, esquece o Ruki, você está com o cara mais gostoso do The GazettE bem em baixo de você. E você aproveita, o álcool subindo pela sua cabeça e o deixando completamente tonto. Você puxa as próprias calças pra baixo, até o meio das coxas, e então se ocupa em se livrar da dele. Mais difícil, a calça dele é praticamente a vácuo, de tão colada. Bem, talvez seja o espaço extra que aquela tremenda ereção ocupa...você puxa as calças dele até os joelhos de uma vez só, exibindo instantaneamente aquelas coxas, completamente nuas. Ele se ergue o suficiente para beija-lo de novo, mordendo seu lábio, seu piercing, brincando com ele. E ainda aproveita para arranhar suas costas e puxar sua blusa pra cima. Você nem sabe como, mas quando abre os olhos, esta mais despido que ele, que acaba de arrancar as próprias calças com um movimento ágil das pernas sensuais. Não, você não acha justo que ele ainda esconda aquele tórax claro e perfeito, não mesmo. Você estoura um a um os botões daquela camisa dele, e se debruça sobre ele, sentindo o calor sufocante. Ah, pele, finalmente da pra sentir a pele! Você desce a mão até o membro dele, tão necessitado quanto o seu. Está tão quente que você acha que pode queimar os dedos, e isso só o excita mais. E você faz um movimento muito rápido, e ele grita.

Ah sim, ele grita seu nome e arranha suas costas mais uma vez, e começa a chupar seu pescoço, morde-lo.

- Aoi...me fode...agora...

- Uru...ha... – você recobra um fiapo de sanidade, só pra se lembrar que não pode penetra-lo assim, no seco. Ele se lembra disso um instante depois, ajoelha na sua frente e abaixa aquela boca perfeita até seu membro. Por todos os deuses do universo, que chupada!

Ele desliza aquela língua muito quente e molhada por toda a extensão do seu membro, prende a ponta entre os dentes só pra deixa-lo ainda mais excitado. Lambe da base a glande, uma veia pulsante antes de abocanha-lo de vez. Você nem mesmo percebe que esta quase gritando, que mantém os olhos semi-cerrados e que segura o cabelo dele com força, empurrando-a para si mesmo. Você pode até mesmo sentir seu pênis batendo na garganta dele, mas Uruha continua chupando-o com vontade, ofegando de vez em quando, arranhando suas coxas. Estão o bastardo se afasta, justo quando você acha que não vai poder agüentar muito mais, deixando seu membro molhado de saliva.

Ele se deita e coloca as pernas nos seus ombros, puxando-o. Você pode ver o quanto ele quer você, os olhos dele estão escuros de desejo. Os seus também devem estar.

- Molhado...o bastante...eu quero você... – murmura, rouco. Como você poderia negar um pedido desses? Não, nunca poderia.

Você deita-se sobre ele e arranca mais um beijo ardente, guiando seu sexo em direção a entrada apertada, úmida, deliciosa. Você tenta ir devagar pra não machucar, mas ele está impaciente, e na verdade você também está. Com um impulso e um grito, ele empurra o corpo e você sente que entrou completamente dentro dele. Você adorou ouvir aquele grito, escandaloso. Adora pessoas escandalosas no sexo, que gemem alto e gritam, e Uruha não desaponta nem um pouco. Mas você acha que também gritou, só não tem certeza porque está perdido de mais dentro daquele corpo apertado para notar. Com as mãos nos quadris do loiro, você começa a se mover, devagar. Ele tinha torturado-o não? Pois agora seria torturado também, o máximo que conseguisse.

Uruha estreita os olhos, com raiva dos movimentos lentos, o empurra e senta sobre seu quadril, aumentando o ritmo. E como castigo morde seus lábios com mais força. Mas isso é ainda mais excitante, dor e prazer...alguém disse que andam sempre juntos. Naquele momento você concordou completamente. O guitarrista mais novo começou a cavalga-lo, gemendo, sempre gemendo alto como uma putinha. Você gemeu também, talvez mais alto, arranhando o pescoço dele com os dentes. Ele inclina aquela cabeça perfeita para trás, com cara de puro tesão, e você decide dar atenção ao membro dele também. Estava meio perdido nisso, nunca tinha feito com um homem, mas parece ser o certo. E é. Quando sente seus dedos indo para cima e para baixo no mesmo ritmo rápido com que ele pula em você, Uruha grita de novo. Você brinca com a glande dele, passando o dedo sobre ela, com uma certa força. O loiro esta tremulo, praticamente revira os olhos pra você, e você não pode suportar mais nem um minuto. Seu ventre baixo dói pedindo por alivio. E novamente você esta sobre ele, seus corpos se chocando alucinados e os gemidos e gritos confundidos demais para saber qual é de quem. Você esta tocando a próstata dele, forte. Ele estremece sobre você e relaxa, gritando ainda mais alto que de todas as outras vezes. Mal o liquido quente e pegajoso molha seu abdômen, você sente o ápice chegar, e Uruha é todo preenchido pelo seu líquido. Ele caí para um lado, exausto, você cai para o outro, saindo de dentro dele. Pode olha-lo e admira-lo completamente assim. Descabelado, completamente nu, os lábios entreabertos e a respiração descompassada, lindo. Completamente lindo. Um fio de líquido branco escorre da entrada dele, e Uruha leva os dedos até ali, ainda conseguindo ser absurdamente sexy depois de tudo. Ele lambe os dedos, lentamente.

- ...delicioso... – sussurra, completamente rouco.

E você se inclina e lambe os dedos dele, e depois a boca e se beijam de novo. Desta vez não de um jeito desesperado e confuso, mas sensual. Grande parte do álcool ingerido já devia ter se evaporado mesmo. Mas não o suficiente para fazer vocês saírem do carro e voltarem pra casa. Não, você se deita sobre o abdômen dele e fecha os olhos, cansado. É ótimo ter uma caminhonete com banco traseiro grande, porque vocês dormem confortavelmente nele.

E agora você acorda com um gosto muito peculiar de cabo de guarda chuva na boca, uma enorme dor de cabeça, o sol entrando pelas janelas do carro, e um loiro completamente adormecido em baixo de si. E você sente culpa.

É, mas agora já estava feito, o sêmen seco na sua barriga era mais que prova se o resto não bastasse. Não devia mesmo ter feito isso, porque agora Uruha se meche e começa a abrir os olhos, e vai dizer que tudo foi um tremendo erro, que você se aproveitou do fato de ele ter bebido uma garrafa de tequila sozinho, que...

- Aoi? – ele diz protegendo os olhos da luz com a mão.

- ...Uru-chan...- Uru-chan?! Que tipo de intimidade era aquela?! Era só uma transa ocasional certo?

- ...ah... – diz ele se lembrando. Mas não é uma cara de nojo, nem espantada nem aborrecida que ele faz. Ele sorri. – você esta sujo – diz, praticamente rindo da sua cara.

- ...é, eu estou – e você, sem graça e corado como uma garota. Afinal você transou com um cara, achando que era completamente hetero. – Uru-chan...

- Relaxa...vamos pra casa... –disse como que adivinhando seus pensamentos. Com cara de quem estava tão de ressaca quanto você, ele veste as próprias roupas lentamente – Ah Aoi, minha camisa... – choraminga ao perceber todos os botões da camisa estourados.

- ...gomen. Eu compro outra depois... – é, você ainda sente seu rosto arder de vergonha, mas já consegue sorrir. Uma loucura, foi isso, uma loucura

- Ah, esquece, eu tenho outras. – e então ele se inclina sobre você e da um beijo rápido em seus lábios, dobrando a vermelhidão do seu rosto – Aoi?

- ..h-hai? – ele parece feliz. Muito feliz.

- Você gostou do que fizemos? – pergunta triplamente embaraçosa.

- ...hai – você responde baixinho. Queria poder enfiar a cara no chão e nunca mais sair de lá.

- Você gostou...de fazer comigo? – ele ergue seu rosto pelo queixo, próximo mais uma vez.

- Eu...amei. – e você nem sabe por que, o beija. Não tem mais a desculpa de estar bêbado, só hipnotizado pelos lábios dele, pelo sorriso dele, pela voz grave e sensual dele. Será que o The Gazette não tem mesmo nenhum cara que goste de mulheres?

- Que bom...porque hoje a noite nós vamos fazer de novo – diz ele no seu ouvido, depois que se soltam. E se possível, você fica ainda mais vermelho que antes.

Você poderia até contestar, mas pra que? É Uruha, ele não desistiria. E agora você também acha que quer, você tem quase certeza que quer. Mas só vai ter certeza hoje a noite...

Blodeuwedd, a coruja
Essa série vai receber um post só nas noticias, porque é uma série só, de três pequenas oneshots proibidas para menores de 18 anos. A primeira foi escrita de uma vez só, de madrugada como sempre, inspirado por outra fic hardcore que eu simplesmente não me lembro do nome. E a primeira foi betada pela Taka e seu titulo sugerido pela mesma, então meus agradecimentos a ela.
As outras duas foram só inspirações de momento e não sei se chegam a fazer jus a primeira, mas são boas pra quem gosta de casais alternativos de Gazetto.

You Make Me Want To Be A Mancapa

You And Me Mancapa

Make Me Feelcapa
Blodeuwedd, a coruja

Disclaimer: Eu tenho cara de inglesa, loira e podre de rica? Não?! Então não é meu.

Shippers: Harry Potter x Draco Malfoy

Categoria: Romance, Drama, Yaoi(Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: não betada

Sinopse: Harry Potter decide escrever uma carta, contando uma história que aconteceu durante a guerra.

Capa e Notas

Memórias de Guerra

Faz algum tempo que estou sendo pressionado pra escrever isso. Escritores e editoras do mundo bruxo, fãns, Hermione...todos querem saber onde esta o livro de memórias de guerra de Harry Potter. Sem duvida que há muitas histórias interessantes pra contar, mas a verdade é que todos já sabem da maioria delas. Mas agora, vendo o sol nascer pela janela da minha casa, raios atingindo a mesma cor dourada dos cabelos dele, me ocorreu que ninguém sabe dessa história.

É, Ron, Mione, até vocês vão se surpreender dessa vez. Vocês sabem, acho que todos sabem (obrigado Rita Skeeter, a matéria “Grande Potter e Herdeiro Malfoy, juntos!” ainda está bem viva na minha memória) eu moro com Draco Malfoy desde o fim da guerra. Mas há algum tempo que começo a sentir melancolia de algumas épocas do passado. Draco diz que são crises de meia idade, e eu tenho o mau pressentimento que ele está certo, mas acho que esse pouco de melancolia vai me ajudar a contar essa história, de quando tudo começou.

Era, se bem me lembro, Outono e o tempo estava bem mais frio que o comum. Dementadores, sempre esvoaçando sobre toda a Inglaterra, deviam ser a causa. Eu estava enrolado em cachecóis e um sobretudo trouxa andando por Londres, pensando na manchete do Profeta Diário matutino, um horrível assassinato de uma família trouxa, incluindo uma garotinha pequena, e uma foto da marca negra sobre a casa deles. Por mais triste que fosse, era um tipo de manchete comum naqueles tempos, e eu estava cansado de todo aquele desespero em que o mundo parecia estar mergulhado. Por isso naquele dia me vesti como uma pessoa comum e fui caminhar, incógnito, só mesmo para pensar, sem esperar nada de mais.

Mas o meu tranqüilo ‘nada de mais’ foi pro espaço quando passando por um beco eu ouvi um estalo. Estalo de aparatação, com certeza absoluta. Apertei a varinha dentro do bolso e fui investigar. O beco era sujo, escuro de fog e cheio de papeis e trapos imundos jogados pelos cantos, tanto que a primeira vista nem mesmo percebi que havia um trapo que não estava imundo. Na verdade, alguém vestindo uma capa preta com capuz, cobrindo totalmente o rosto, estava escorado numa parede como uma trouxa de pano, e se passaria por um mendigo para qualquer um que não observasse que a capa preta era feita de couro de dragão legitimo. O vulto se mexeu, ainda sem me ver, gemeu baixo e parecia estar apertando as costelas do lado direito. Tentou se levantar, apoiando-se na parede, mas pelo gemido mais alto pareceu que não conseguia. Vi uma mão pálida puxar uma varinha de dentro das vestes e murmurar alguma coisa em voz fraca, e finalmente me aproximei para ajudar. Quem quer que fosse parecia estar com sérios problemas.

- Oi, precisa de ajuda?

A pessoa pareceu pular do chão, mesmo ainda se mantendo escorada, rapidamente apontou a varinha pra mim e nesse gesto deixou escorrer o capuz pela cabeça. Reconheci imediatamente o rosto fino, os cabelos platinados e os olhos cinzentos de Draco Malfoy. Mesmo tendo que admitir que era uma ruína do que eu tinha visto a somente dois anos atrás. E puxei minha varinha imediatamente.

- Potter! – sua voz estava fraca mas sua mão ainda estava firme, embora estivesse encolhido na parede.

- Malfoy... – eu estava bem surpreso, nunca mais tinha ouvido falar em Draco Malfoy desde o dia fatídico no sexto ano, achava que ele estava morto. Naquela hora me lembrei de Dumbledore, que ele quase tinha matado, e tentei executar um Estupefaça mas ele foi rápido e fez o contra-feitiço.

- Pare Potter! – eu parei, tão inesperada foi a ordem – se quer me matar, mate de uma vez.

Então ele baixou a varinha, e eu fiquei completamente atônico. Mantive a varinha apontada pra ele, mas só pude ver Draco apertar com mais força as costelas e virar o rosto, esperando meu feitiço.

- ...Vai demorar Potter?

Eu recupere a voz e falei de supetão.

- Que tipo de jogo é esse?

- Jogo nenhum. Ande Potter, sirva pra alguma coisa e faça o maldito feitiço!

Me aproximei com a varinha erguida e apontando direto para o peito dele, pude ver um corte profundo e muito sangue jorrando de seu peito, no que parecia um sectusempra mal feito. Murmurei um feitiço de cura que tinha aprendido, só para estancar o sangramento, e ergui Malfoy contra a parede.

- Quer que eu te mate?!

- Eu já sou um homem morto, que importa quem faz o serviço sujo? – sua voz e todo o seu corpo tremia sobre minhas mãos, mas ainda mantinha a expressão de desprezo que tantas vezes eu tinha visto ele usar em Hogwarts.

- Como...? Ah, você vai para Azkaban apodrecer numa cela mofada – Arranquei a varinha de perto dele e guardei no bolso, e o fiz ficar de pé. Pretendia aparatar com ele no Ministério, embora estivesse curioso e muito surpreso com a atitude dele.

- Ah, pelas barbas de Merlin Potter! Mate-me de uma vez e esqueça essa sua justiça grifinória imbecil! – ele se soltou das minhas mãos e voltou a se encostar na parede, arquejando pelo esforço de dizer isso em voz alta. Aí eu perdi a paciência com aquilo, não era absolutamente natural que um comensal da morte aparatasse ao seu lado pedindo para morrer. Apertei o braço dele e reapareci do pequeno apartamento que tinha acabado de arrumar em Londres, e que ainda estava completamente desorganizado. Joguei ele no sofá e o prendi com um feitiço de cordas, reparando que o corte voltara a sangrar. Tentei me lembrar da cantinela a tanto esquecida que Snape, o nosso velho professor de poções que eu tive o prazer de matar um tempo depois, tinha usado contra o sectusempra que eu mesmo tinha usado em Draco no ultimo ano dele na escola, mas as palavras me escapavam.

- Não precisa me curar.

- Cale a boca.

Murmurei um outro feitiço que me ocorreu na hora e a ferida diminuiu um pouco. Ouvi um suspiro de alivio dele.

- Essa maldita porcaria dói pra caramba sabia! Mesmo que o idiota do Crable não tenha competência para fazer direito...

- Crable? Seu capanga inseparável Crable?

- ...Que lugar é esse? – com a voz mais estável, Draco olhou em volta sem muito interesse – As salas do Ministério estão cada vez mais ruins...

- Minha casa.

- Porque me trouxe pra sua casa?! Idiota, ele pode me seguir! - Draco meio que pulou do sofá, voltando a se sentar logo que sentiu uma pontada de dor.

- Quem pode seguir você?

- O Lord das Trevas...ou algum deles. Me tira daqui agora Potter, ele não pode saber onde você está!

Definitivamente tudo ficava mais estranho a cada segundo.

- Pensei que você seguia Voldemort, não o contrario. E desde quanto se importa com a minha vida?

- Vejo que continua tão estúpido quanto antes. Você vai matar ele, ou é o que dizem. Ele tem que morrer, de algum modo tem. Mas eu não vou viver o suficiente pra ver o fato.

Revirei os olhos, impaciente, fiz mais uma vez o feitiço e reforcei as cordas.

- Impressão minha ou o Malfoy menor brigou com o chefe? – estava sendo sarcástico.

- Deixe de ser idiota Potter. Eu...desertei. Por isso ele vai correr atrás de mim e me matar. Assim como matou minha mãe. Então acabe logo com isso e entregue meu corpo pro ministério, como eles gostam.

...Draco vai rir quando ler isso, mas eu senti muita compaixão naquela hora. Pena, mesmo. Ele estava mais pálido que o normal, magro como se não comesse a dias. A pele com um aspecto doentio junto com as olheiras profundas, a barba sem fazer parecendo uma sombra loira sobre o queixo, e o estado roto e velho das roupas que usava me fez ter uma vontade muito repentina e estranha de cuidar dele. O que obviamente eu não fiz, só soltei as cordas ainda apontando a varinha.

- Desertou...e porque eu deveria acreditar?

- Não deveria. Faça o que tem que fazer.

Então me levantei, conjurei um copo de água e um patrono com uma mensagem para Hermione. Entreguei o copo de água a ele.

- Vai vir alguém aqui cuidar direito disso, nem ouse se mexer. – apontei a ferida e fiquei olhando para Draco. Ele pareceu bem espantado.

- Não vai mesmo me matar?

- Não.

- Não vai me deixar fugir, tão pouco.

- Se acha que está mais seguro lá fora...

Devo fazer uma pausa aqui para explicar que embora tenha negado ser o garoto propaganda do Ministerio, eu mantive contado com os aurores, principalmente os da Ordem da Fênix. Era um acordo tácito de ajuda, eu ajudava com pistas sobre comensais e eles com pistas sobre Voldemort de antigamente. E alguns dele, aquela altura grandes amigos, eram Inomináveis muito bons e me ensinavam feitiços e protegiam todas as casas onde eu morava com feitiços anti artes das trevas, comensais e ligilimencia. Qualquer coisa com intenção ruim que tentasse entrar era prontamente rebatida e sofria dores horríveis. Draco não estava gritando de dor.

- ...quer que eu fique aqui? Eu é que pergunto qual é o jogo? – sim, ele estava muito surpreendido.

- Esta contra Voldemort, não vai ser mandado pra morte imediatamente, não por mim. Vai ficar aqui até explicar tudo direito e – estalo – se curar. Olá Mione. - Hermione tinha acabado de aparatar na minha sala.

- ...MALFOY??

Draco fez uma das suas conhecidas caras de nojo, mais por habito que por desprezo, mantendo o corte escondido sobre o casaco caro e totalmente desgastado.

- Granger...

- Harry o que ele faz aqui?!

- Encontrei-o sangrando como um animal num abatedouro em um beco. Pode cuidar desse sectusempra?

- ...Cuidar?

- É. Mione...- baixei a voz - ele está aqui dentro, não vai nos fazer mal... – eu tentei lembra-la dos feitiços, mas até mesmo Mione estava surpresa de mais pra se lembrar.

- Harry isso é perigoso! Pode estar se fingindo, ele é um comensal!

- Ele diz que não é mais.

- Você acredita?

- Mione, ele não vai poder fazer nada sem varinha. Por favor...

Toda essa conversa foi em voz baixa, Draco revirando os olhos no sofá embora eu notasse que ele estava mais pálido a cada instante. Hermione foi até ele, devagar, apontou a varinha para o peito dele e começou uma cantinela monótona. Draco tentou se esquivar.

- Eu não preciso de tratamento Granger. Diga a esse imbecil do Potter pra me mandar para aurores logo se não tem coragem de me matar.

Ela arregalou os olhos e quase parou o feitiço, mas eu fiz um gesto de ‘ignore’ e ela continuou em silencio.

- ...Mas que merda! Eu não estou louco ok?! Ele realmente pode vir atrás de mim! – ele levantou mas eu o sentei de volta com um aceno da varinha. Ele fez um bico de criança emburrada que quase me deu vontade de rir.

Mione acabou de cura-lo, e então ousou perguntar.

- Mas que é que está acontecendo?

Draco ficou quieto, massageando as costelas. Eu me levantei e apontei a varinha pela porta da cozinha, e ouvi copos de bebida de enchendo.

- Malfoy me pediu insistentemente para mata-lo e até agora só me disse que desertou e foi atingido por Crable. – peguei meu copo de whisky de fogo que veio voando e os outros pegaram os seus e os colocaram em cima da mesa.

- ...Eu desertei, estava me escondendo numa mansão abandonada dos Malfoy, mas chegaram os meus ‘colegas’ e Crable me acertou com esse maldito feitiço, mas eu já estava aparatando.

- Porque desertou? – Mione agora parecia estar sendo o policial interrogando o suspeito.

- Não preciso dizer os motivos para um sangue ruim, como você Granger.

- Harry, talvez eu deva chamar Tonks e pedir que ela deixe acidentalmente um vidro de verissaterun vir com ela...

- Não precisa, eu tenho um pouco aqui. Na verdade, tem um pouco na bebida do Malfoy.

Ele estava tomando uns goles com as mãos tremulas, cuspiu tudo e tacou o copo no chão.

- MAS QUE MERDA POTTER!

- Porque desertou? – perguntei, com voz firme, e pude ver uma pequena luta dentro dele quando a pequena quantidade de verissaterun no corpo dele tentava vencer.

- ...p-porque...eu...n-não q-quero mais...

- Não quer mais o que? – Mione estava impaciente.

- Matar... – ele respirou fundo – ele matou ela, matou minha mãe...por simples prazer...eu não consigo...matar assim... – lagrimas encheram seus olhos mas ele continuava a despejar a verdade com voz monótona – sou um comensal com defeito, sou um Malfoy defeituoso...Ele ia me matar de qualquer jeito, uma hora ou outra ia se cansar de mim. Eu resolvi fugir...e quem sabe morrer nas mãos dos mocinhos...

Até Hermione ficou amolecida com o relato. E acabou se convencendo que Malfoy não estava em missão de me matar ou algo do gênero.

- Hey, Malfoy...acho que pra sua segurança é melhor ficar aqui. – disse eu, nem sei porque.

- C-como?!

- Bom, esse é provavelmente o apartamento mais bem protegido de Lord Voldemort que existe na Europa toda. E você conviveu com ele, deve ter informações, eu preciso delas. Então trocamos, suas histórias pela minha proteção.

Mione torceu o nariz pra idéia, mas meus argumentos eram lógicos. E nos dias seguintes tentei me convencer que só por eles eu tinha feito o convite. Naquele dia ele tomou um banho, vestiu roupas limpas (minhas, que ficaram grandes pra ele. Na época de escola eu era pequeno, mas toda a minha vida acabou por me tornar um homem particularmente grande. Draco parecia uma criança metida em meus pijamas, como ainda parece), e comeu como um condenado a morte (que infelizmente era o que ele era).

Foi uma das noites mais estranhas da minha vida. Lá estava Draco engolindo cada garfada sem classe nenhuma, sentado a minha frente, com meus pijamas azuis com nuvens. O cabelo molhado, a barba recém feita, cheiro de colônia vindo de cada poro. Era estranho como ele tinha mudado tanto e tão pouco. Lá estava o mesmo pálido rosto fino, delicado como o de uma garota, os olhos cinza tempestade, cheios de algo intransponível, os mesmos cabelos de ouro claro de antes. Mas as maneiras aristocráticas, a presunção e egocentrismo dele pareciam completamente minados, com só alguns resquícios que eram mais habito que personalidade. Algo mais humano havia crescido nele, era só o que eu podia ver.

- Vai ficar me olhando Potter?

- Não estou te olhando.

- Está. Me desculpe meus modos rudes de comer, mas estou praticamente sem comida a dois dias. – estava sendo sarcástico, embora a ultima parte fosse verdade.

- Coma como quiser – eu mesmo dei uma garfada bruta nas ervilhas da minha comida semi pronta e engoli a pasta sem gosto com ferocidade. Durante oito anos da minha vida eu tinha odiado Draco Malfoy e era absolutamente esquisito estar tranqüilamente servindo o jantar a ele na minha casa.

- Não se preocupe Potter, não vou atrapalhar sua vida. Vou ficar quieto o dia todo.

- Eu não tenho vida a muito tempo Malfoy. Faz três meses que me mudei e...

- Três meses!! Mas tudo está encaixotado!

- Era o que eu ia dizer. Minhas pesquisas, viagens e etc não me deixam com tempo o suficiente pra por a casa em ordem.

- Hump! Esse lugar pode ser uma ilha sem Arte das Trevas mas é um lixo de se viver. Não sei como consegue.

- Conseguindo. E se não conseguir vai ter que arrumar tudo sozinho porque eu vou sair amanhã cedo e vou voltar de noite como sempre. E hoje, acho que posso fazer algumas pergunt...

- Onde vou dormir?

Ele desviou do assunto, eu percebi, mas resolvi dar mais um dia a ele.

- No meu quarto. Vou dormir no sofá.

- Eu deveria dormir no sofá...

- Eu me levanto muitas vezes a noite, para andar. Vai ficar melhor no meu quarto.

- ...Okay...

Ele acabou sua comida e jogou a bandeja de papelão no lixo. Murmurou um boa noite e foi para o meu quarto. Alguma loucura temporária se apossou de mim porque a imagem de Draco naqueles pijamas largos, uma bundinha perfeitamente marcada, indo se deitar na minha cama me deu calor repentino. Eu sacudi a cabeça e tomei um copo de água gelada, me deitei no sofá e talvez pelo dia exaustivo, dormi quase imediatamente.

A primeira coisa que vi –embaçado- ao acordar no dia seguinte foi olhos cinzentos emoldurados por cabelos claros olhando pra mim. Pisquei, ele continuou olhando pra mim. Tateei a procura dos meus óculos e Draco entrou em foco segurando duas canecas fumegantes.

- Você disse que tinha que se levantar cedo, são quase nove.

Pulei do sofá e olhei no meu relógio de trouxa de parede.

- Droga! – Peguei minha varinha e comecei a dizer um feitiço de enervate quando Draco me estendeu uma caneca.

- Sei que trouxas acordam com isso. Alias, que tipo de instruções fala ‘adicione água quente’ sem dizer nem mesmo a temperatura! Tive que fazer um feitiço para ele ficar com a aparência da embalagem e...

- Sabe algo sobre trouxas? – me surpreendi.

- Tenho vivido muito entre trouxas nos últimos tempos. Eles não são tão primitivos e sujos afinal.

- Claro que não são. Bom, tirando os Dursley, mas isso é outra história. – engoli meu café, corri para o banheiro e voltei vestido para passar mais um dia socado em uma sala de documentos atrás de passagens de Tom Ridle pelo mundo bruxo.

- Fique dentro de casa, é onde você está seguro. E se alguém chegar finja que não tem ninguém em casa, a não ser que seja Hermione e Ronald. Até

- Até Potter.

Me senti meio como uma mãe naquele momento, mas afastei isso da minha cabeça também. Meu dia foi cansativo e bem infrutífero e voltei para casa quando o sol estava se pondo.

E quase voltei a aparatar em outro lugar pensando que tinha errado de endereço.

Não havia mais caixas, tudo estava exatamente onde devia estar. E não era só. Draco tinha decorado o lugar, com paredes vermelho claro e moveis de madeira escura, escurecida por magia. Um lustre de vidro pendia brilhante onde antes só tinha uma lâmpada velha sem proteção. Um tapete egípcio que pensei parecer com um antigo pano de chão modificado estava estendido no meio da sala. Andei até a cozinha para ver que brilhava como nova, organizada ao extremo, e com mesa a postos. Meu escritório improvisado no quarto de hospedes tinha caixas etiquetadas e documentos separados em pilhas, penas novas sobre a mesa e pergaminho limpo. Então fui até meu quarto.

Paredes verde claras, esculturas de prata modernas, coxas novas e um cheio indistinguível que me lembrou vagamente a artemísia. E um quadro na parede acima da cama, algo que eu nunca tinha visto nem tinha pensado em ver. Um quadro de mim, em tamanho natural.

Malfoy chegou enxugando os cabelos e me viu olhando embasbacado para o quadro.

- Um toque de classe. Tinha um em meu quarto na mansão Malfoy, de mim claro. Ficou um pouco deslocado mas...

- Como conseguiu isso??

- Ah, peguei uma das suas fotos que achei em uma caixa e fui modelando os detalhes em tinta. E bem simples se sabe fazer as linhas curvas e...

- É assustador!

- Não está tão ruim assim Potter.

- É igual a mim, do meu tamanho, e olha pra mim. Não quero dormir com isso aqui.

- Pensei que você estava dormindo no sofá.

- ...ah, é mesmo. Mas mesmo assim não quero esse quadro aqui. No outro quarto talvez...

Malfoy fez um aceno de varinha, resignado, e conjurou um novo quadro, uma paisagem tranqüila e sem graça.

- Se quiser outra coisa faça você mesmo. Passei o dia tornando o lugar habitável. E não tem nem sequer uma comida descente na sua geladeira.

- Eu não cozinho a muitos anos.

- Imaginei.

Ele sacudiu aqueles cabelos dourados e molhados e ajeitou a camiseta trouxa que usava sobre uma calça de moletom visivelmente maior que ele.

- Vou conjurar o jantar. Ah, e Potter, pode fechar a boca agora.

Notei meu queixo caído por toda aquela mudança drástica e o fechei rapidamente. Porem antes que Malfoy sumisse para a cozinha e eu me enfiasse no chuveiro, murmurei.

- Bom trabalho. Ficou legal.

Ele olhou para mim como se me visse verde de repente, eu também achava que devia estar muito estranho. Elogiar Draco Malfoy, além de ser praticamente um acontecimento de universo paralelo, talvez fosse uma indicação do que viria a seguir. Mas mais uma vez ignorei.

Jantei naquele dia um belo peru defumado, conjurado por Malfoy junto com purês de batata e suco de abóbora igual ao que serviam em Hogwarts. Ele era um ótimo bruxo, não podia negar. Eu só conseguia, as vezes, conjurar um pastelão de fígado frio.

- Então, como fez?

- Fiz o que Potter?

- Como fez pra redecorar isso. Qualquer feitiço é útil pra mim.

- Feitiços de decoração não são úteis em ocasião alguma.

- Okay. Viveu com ele?

- ...ele?

- Voldemort.

Ele empalideceu e baixou o garfo cheio. Mas respondeu minha pergunta.

- Já dormi na mesma casa em que ele... estava, porque duvido que ele durma.

- E...

- O que quer saber em específico?

- Qualquer coisa sobre ele e seus esconderijos.

- São as tais horcruxes que você procura não é?

- Como sabe?!

- Suas anotações. Eu tentei organiza-las mas desisti.

- Sim, são horcruxes. Agora me diga se tem alguma coisa a que ele é mais apegado, algo histórico, de grande valor...

- A única coisa a que o Lord das Trevas parece dar valor além de si mesmo e de poder, é a maldita cobra Nagini.

- Ah sim, sei sobre ela...

- Mas ele falava as vezes em um lugar que chamava de Meu Castelo. O Lord das Trevas nunca foi de morar em um lugar só mas esse parece uma casa pra onde ele volta as vezes. Tem algo lá, eu acho.

- Alguma indicação, qualquer coisa, de onde fica?

- Não, ele sempre diz que vai para o Seu Castelo e some...uma vez eu vi ele voltando, tinha barro vermelho sob seus sapatos e pingos de chuva nos seus cabelos, mas ali por perto não estava chovendo. É só o que sei.

- Certo...não é muita coisa mas...

- Vou ser expulso da sua casa agora?

- Claro que não! Você ainda tem informações a dar.

Me levantei e fui para o meu quarto, então me lembrei que não estava dormindo ali. Ao me virar para voltar a sala encontrei Draco parado apoiado no batente da porta.

- Sabe Potter, você não é mais o grifinório arrogante que eu conheci, não tanto...

- Você continua sendo um completo sonserino. – respondi amargo, com nojo particular a palavra sonserino.

- Hehe, mas continua sendo um heróizinho modelo. Eu durmo na sala hoje.

Ele foi, mas eu o puxei pela manga e ele parou. Havia uma tensão entre nós, eu julguei que fosse desconfiança mas Draco era mais esperto que eu. Tensão sexual

- Hey Potter, poderia até ser com outra pessoa mas com você é estranho de mais.

- Poderia ser o que?

- Sexo. Olha, eu vou dormir na sala, e você fica com seu quarto sem graça e com nada de classe.

- Sexo?! Eu não quero transar com você!

- Ah sim, claro...

- Eu não sou gay!

- É muito másculo...

- E você é Draco Malfoy!

Silencio. Sem perceber eu o tinha puxado e ele estava a uma distancia muito pequena de mim.

- E você é Harry Potter, por isso pode me soltar por favor?

Soltei, rumei para o sofá e fiquei feliz ao ver que ele não me seguiu. Fiquei me revirando na cama (ou sofá) pensando sobre isso muito tempo antes de dormir.

E acordei no dia seguinte com enormes olheiras e uma decisão na cabeça. Arrumar outro lugar para Malfoy dormir. Ele me irritava ainda, mas era diferente. Eu não queria mais vê-lo morto sob as patas de um hipogrifo, como na escola, queria vê-lo longe. Em segurança mais longe. Ele me dava arrepios estranhos.

“Mas antes, trabalhar” pensei. Arrumaria algum lugar, o ministério devia saber de um. Faria as perguntas depois, seria melhor. Saí atrás das minhas pesquisas antes mesmo de Draco acordar, rumei direto para o ministério no mesmo instante e comecei a vasculhar uma nova sala de documentos.

O trabalho era maçante porque eram documentos tão antigos que nem mesmo estavam em ordem alfabética. Havia coisas sobre a família Gaunt, a família da mãe de Voldemort, e eu achava que poderia achar uma boa pista ali se tivesse sorte.

Nem duas horas dentro daquela sala e eu estava espirrando como um louco. Um funcionário no ministério, que tinha me trazido um chá, falou que era melhor eu sair dali.

- Sabe, essas salas velhas estão cheias de partículas estranhas. Um especialista pode confirmar mas do jeito que você ta espirrando deve ta cheio de pó de fadas mordentes aqui.

- Pó...athin! ...de fadas mordentes?

- Sim, elas soltam um pó quando vão se acasalar, acho...faz mal pra pessoas.

Ele foi até uma das estantes absurdamente velhas e bateu nas caixas. Um zunido e algumas criaturinhas pretas saltaram dali e tentaram pegá-lo com os dentinhos afiados, ele as estuporou.

- É, deve ser isso. Vou chamar um senhor que faz limpezas e ele faz um feitiço que acaba com isso amanhã. Agora você devia ir pra casa tomar um banho.

- ...certo, athin!

Não fui direto para casa, porem. Passei pelo escritório do chefe dos aurores, Quin Shaclabott, para falar sobre abrigos para refugiados.

- Sim, soube pela Granger que você está abrigando o Malfoy filho. Tem certeza disso Potter?

- ATHIN! ...Ele realmente desertou.

- Bem, confio no seu julgamento. Mas porque quer tira-lo de lá agora? Ele deve ter muita informação e sua casa é muito mais segura que qualquer outro lugar que eu possa arrumar. Tirando talvez, o ministério e a minha casa...

- Pode deixa-lo na sua casa?...ATHIN!

- Minha esposa odiaria o fato. Diz que já trago trabalho de mais pra dentro de casa. E, você é meio jovem pra saber disso Potter, mas esposas iradas são piores que dois você-sabe-quem te atacando ao mesmo tempo...

Quim coçou a cabeça um instante, desconcertado.

- Quem sabe...ATHIN! aqui no ministério...

- Não podemos deixar pessoas viverem aqui. Posso tentar Potter, mas vai demorar alguns dias.

- Okay...athin!...

Me virei para ir para a área de aparatação, pensando se agüentaria alguns dias com a irritante companhia de Malfoy ali, e massageando o peito que doía de tanto espirrar.

- Hey, Potter, está gripado?

- ...pó de fadas mordentes...- disse com um suspiro e vi Quin rindo antes de aparatar.

Apareci na sala de casa, que eu ainda estava estranhando estar tão arrumada, e rumei direto para o banheiro. O pó começava a deixar minha pele empipocada e tudo que eu queria era um banho. Tirei a blusa, desabotoei a calça antes de entrar no banheiro. Então ouvi um berro.

- AAH! POTTER!

Malfoy estava ali, enfiado dentro da banheira com água sem espuma, subitamente encolhido ao me ver entrar de repente.

- Ah! ...Oh, desculpe...athin! eu ...er...athin!...

- Pensei que voltaria mais tarde.

- Eu tive que voltar...athin! estou impregnado de pó de acasalamento de fadas mordentes...

- ...hahahahahahaha!

- Oh, vá logo com isso Malfoy, eu preciso tomar um banho! ATHIN!

Ia me virar pra sair quando meus olhos bateram em seu peito. Havia marcas leves de queimaduras na pele, ele ainda estava muito magro. Uma linha nas costelas parecia prestes a cicatrizar, uma linha maior e mais branca atravessando o peito parecia definitiva. Sem me dar conta fiquei olhando aquela linha muito atentamente.

- ...Potter? será que pode sair agora?

- Ah sim, desculpe... – me virei pra sair.

- Faz tempo não faz?

- O que?

- Que me fez essa cicatriz.

- ...é, faz muito tempo...athin!

- Oh, chega. Tome seu banho logo.

Sem nenhuma cerimônia, Draco se levantou da banheira e sacudiu os cabelos molhados como um cachorrinho. Muito pouca classe pra um Malfoy. Não pude deixar de notar que mesmo muito esguio e machucado Draco era extremamente atraente nu. Corei.

- Ah, Santo Potter! Está com vergonha de mim? Eu tenho tudo que você tem. – seu jeito desdenhoso e desafiante já estava me irritando de verdade.

- Vá se...

- Aham! Nada de palavras feias Potter. Vamos, a água vai esfriar.

Ele pegou uma toalha, depois olhou para mim.

- Quer saber? Somos adultos, não garotinhos de escola. Não vejo problema nenhum nisso.

Largou a toalha e entrou de novo na banheira.

- Não quer que eu...athin! tome banho com você, quer?!

- Ai...grifinório difícil... – pegou a varinha ao lado da banheira e murmurou um feitiço. Minhas roupas caíram no chão em um montinho. Eu me cobri com as mãos rapidamente e fiquei da cor de um tomate maduro.

- Uh, nada mal Potter...agora tome seu banho logo e pare de espirrar.

- MALFOY! NUNCA TIRE AS MINHAS ROUPAS SEM A MINHA PERMISSÃO!

- Oh, Pottinho ta nervoso! Já deixamos claro que não vai rolar nada, não é?

- Ah! Você é um sonserino impossível!

Entrei na banheira, vendo que minha pele estava realmente empipocando agora. Nu, na mesma banheira de Draco Malfoy! Rony entraria em colapso nervoso se tivesse visto aquela cena...pensando bem, ele entrou quando soube de nós... Mas, em todo caso, água quente me livrando daquele maldito pó foi gratificante mesmo assim. Mesmo com um belo homem nu roçando de leve as pernas nas minhas no espaço apertado. Esfreguei a pele bastante, ainda da cor de um pimentão, evitando olhar pra ele. Ele olhava abertamente pra mim.

- Pode fazer o favor de parar de me secar Malfoy?

- Não estou te secando.

- Ah não?! – eu definitivamente não estava de bom humor naquele dia.

- Não, estava lembrando de uma coisa...

- Que coisa?

- Teus olhos são verdes como sapinhos cozidos. Teus cabelos, negros como um quadro de aula. Queria que tu fosses meu, garoto divino. Herói que venceu o malvado Lord das Trevas.

Se isso foi possível, corei mais. Havia uma leve curva nos lábios de Malfoy, indicando que ele estava prestes a cair na gargalhada.

- Cala a boca Malfoy!

- UAHIhaiHAIhaiHAIhaiHAIhuaiHA, desculpe, mas me ocorreu agora e...hUIAHihaiHAIahiHA, Por Merlin, ainda morro de rir!

- Não tem nada aqui pra lembrar daquele tempo. Faz...faz mais de seis anos...

- ...é, faz mais de seis anos...

Ficamos nostálgicos, e era mais estranho compartilhar um sentimento com Draco Malfoy que estar em uma banheira com ele.

- Mas na verdade, seus olhos continuam verdes, seu cabelo continua negro, seu corpo está mais perto da divindade que jamais esteve...e eu espero, do fundo do meu coração, se ainda tenho um, que você derrote ele novamente.

- ...eu vou. Vou mata-lo com minhas próprias mãos...e se você deseja a morte dele, ainda tem um coração.

- É...devo ter... - Draco passou a mão distraidamente sobre a cicatriz – foi a ultima marca que me deixou, antes de ir embora...

- Creio que foi a única.

- Oh, não foi a única...eu odiava tanto você Potter! Odiava tanto que quando descobri que amava você eu nem sei o que me impediu de explodir. Então eu odiei você mais ainda, mas na verdade estava só amando mais...

- ...como é?!

Eu fiquei completamente surpreso com aquilo. Tão surpreso que parei de tentar me encolher na banheira e olhei de boca aberta pra ele.

- Ah, você nunca desconfiou de nada não é? Grifinórios...tão sensíveis quanto gigantes no cio! Eu amava você muito, descobri quando voltou daquele torneio segurando o corpo daquele garoto...esqueci o nome dele...Mas eu lembro dos olhos dele, mortos, e dos seus, seu choro, eu fiquei aturdido, e não entendia porque. Fui andar, nem voltei para o dormitório naquela noite. Então quando o sol nasceu eu percebi que, se tivesse sido você o cadáver trazido, eu sufocaria ate morrer. Era um tipo de amor platônico com fruto proibido, acho...Malfoys não amam, não admitem ao menos, me odiei por causa desse amor. Mas agora...meu pai realmente me envenenou de berço, eu vejo. Essa coisa toda de Malfoys era dele. Agora, eu penso...poderia ser diferente? Eu poderia ter tentado na época...talvez...mas entende porque não pode acontecer agora? É estranho, eu te amei por tanto tempo que nem sei se esqueci ou se esse sentimento está encravado em mim tão profundamente que nem o sinto mais. Seria...seria estranho se nós...seria triste se eu percebesse que não existe mais, seria como saber que meu amigo imaginário não existe de verdade...mas, em todo caso, a marca mais profunda que me deixou foi essa, no meu coração, a que nunca vai sair na verdade...

Ele falava controladamente, mas os olhos cinzentos pareciam tempestades prestes a desabar. Não fria, mas forte, magnífica. Era como se uma cortina tivesse sido tirada da frente dele, e eu o visse direito pela primeira vez. Um garoto que tinha sofrido, não pela falta dos pais, mas pela presença deles. Um que tinha sofrido por ter tudo e não ter nada que realmente importava. Alguém que sempre teve que se virar sozinho mesmo cercado de empregados, que era frágil mas ainda assim tinha que suportar algo que ninguém devia ter que suportar. Um completo oposto meu, mas tão absurdamente parecido!

- Draco...

- ...você...me chamou de Draco...é sempre Malfoy... – ele estava confuso.

- E-eu...Draco...

Eu me inclinei sobre seu corpo, a água quente nos envolvendo, beijei suavemente seus lábios. Nem sabia porque fazia aquilo, mas a vontade era irresistível.

Ele passou os braços pelo meu pescoço e me puxou, nos beijamos de verdade. Tudo muito, muito rápido e confuso e enevoado na minha cabeça. Não sei como a minhas mãos acabaram acariciando o rosto dele e os quadris e o membro dele, nem como ele acabou sentado em mim, gemendo, me apertando muito forte. Nem sei como chegamos ao ponto de gritar juntos os nomes um do outro, nem como seguimos grudados para o quarto, nem como passamos o dia sem voltar a trocar palavras que não fossem “mais”, “isso”, e nossos nomes gemidos...pelos deuses, parecia um sonho muito louco e sem sentido, e eu não queria que ele acabasse.

Mas acabamos dormindo de exaustão, e como quem dorme tem que acordar, eu acordei horas depois me sentindo o ser mais desprezível do mundo. Toda aquela coisa de amor e ódio que ele tinha falado eu sentia, era como cervos de chifres se batendo dentro do peito, numa luta mortal. Ele estava ali, deitado, nu, magnífico. Tudo estava errado, até o menor dos detalhes, tudo estava irremediavelmente errado. Não devia...ele era minha testemunha, eu devia somente protege-lo de Voldemort. Mas aquele anjo loiro era mais que isso, sempre fora na verdade. Sempre fora um garoto pelo qual eu tinha obsessão, uma obsessão estranha que eu não explicava, não admitia, que Mione no sexto ano chamava de Obsessão Malfoy. Tão esguio, tão branco, ele se destacava nos lençóis como uma criatura brilhante, me lembrava muito um unicórnio naquele momento. Mas, eu não podia! Podia?

Estava sufocado, levantei para tomar tempo depois senti um movimento atrás de mim e Draco veio se juntar a mim na janela.

- Se arrependendo?

- ...eu...não sei...não sei mesmo...

- ...’queria que tu fosses meu, garoto divino’...mas não posso te obrigar a nada, nem fazer existir um sentimento que não existe em você. Sentimentos são as únicas coisas que a magia não consegue manipular, e...acho que por isso são tão valiosos. Mas eu...ainda te amo, como antes. – ele falava com dificuldade, sem me olhar.

- Ama? Não se desapontou? Não é ruim me ter tão próximo, nem conviver comigo? – eu, confuso, olhava para o rosto virado dele.

- É péssimo conviver com você. E maravilhoso. Eu poderia viver com você o resto da minha vida se você me amasse Harry. Mas vou embora amanhã se não conseguir me amar.

- Eu não sei! Não sei...é tudo tão estranho, confuso...tudo tão errado! Mas...as estrelas estão perfeitas hoje, viu? Você parece um unicórnio de ouro...porque está errado? Parece também ser tão certo...tão inevitavelmente certo... – minhas falas eram desconexas e só refletiam o estado da minha mente.

- Veja o sol nascer, resolveu essas minhas duvidas quando eu as tive.

Ele se afastou e voltou a deitar. Fiquei onde estava, fiquei pensando, me confrontando, lutando, e vendo o mundo clarear. E quando o sol nasceu, eu tinha um certeza. Eu o amava também.

Ensaiei algumas horas o que dizer, naquele dia, mas quando ele acordou todas as palavras fugiram de mim. Nem Cho, minha primeira namorada, nem Gina, meu primeiro amor de verdade, nem nenhum dos casos que antecederam aquele momento me prepararam pra dizer aquelas palavras como devia. Eu o vi acordar, e ele voltou seu olhar pra mim, aquele novo olhar resignado que eu ainda não conhecia muito bem. Comecei a gaguejar.

- D-draco, e-eu tenho que dizer q-que...b-bem, ãh... nós dois, v-você sabe...

- Harry?

- Sim?

- Pode voltar a falar em inglês por favor?

- ...c-claro...

Ele ria, um riso morto. Mais tarde me disse que jurava que eu ia dizer que não o queria nunca mais. Mas naquele momento nenhum de nós sabia o que o outro estava pensando.

- Então...o que está tentando me dizer?

- Dracoeuteamoficacomigo?

- ...Como?

- ...Eu...eu te amo, acho que...acho que amo a muito tempo mas nunca tinha percebido ou devo ter bloqueado esse sentimento ou algo assim mas...com o que você me disse ontem, com tudo que aconteceu...fica aqui comigo...pra sempre?

- ...não é sensato falar pra sempre numa guerra. – mas os olhos dele estavam brilhantes de lagrimas.

- Então fica comigo...enquanto ainda estamos aqui pra amar um ao outro?

- ...claro Harry, eu fico com você...pra sempre.

E os dias que seguiram, não sei bem como descreve-los. Parecia um estado de sitio, parecia uma lua de mel, parecia um dia comum de um casamento antigo...parecia uma vida que eu nunca achei que teria. Acho que Draco sentiu o mesmo naqueles dias, nossos mundos tão opostos encontrando um novo mundo que era diferente de todo o resto.

O que aconteceu depois? Bem, houve batalhas. Draco lutou ao meu lado em quase todas elas. Ele quase morreu para me salvar, no mesmo dia em que eu matei Voldemort. Talvez só tenha conseguido forças para matar Voldemort porque ele estava tirando a vida do meu grande amor. Depois as pessoas descobriram, foi estranho. Mas sempre Draco estava do meu lado, sempre. E continua até hoje.

E essa é minha historia mais importante. Bem, isso parece uma carta. Acho que é uma carta, mas não é pra ninguém em especial. Não, é sim, é para as águas, as águas tempestuosas que vejo refletidas nos olhos dele todos os dias. Não há mais ninguém que possa aceitar esse relato a não ser o mar eternamente agitado das costas da Irlanda, que é onde moramos a quase dez anos. Estou ouvindo trotes, ele deve estar voltando do passeio a cavalo. Vamos tomar um banho quente e nos sentar em frente a lareira e talvez vamos conversar, ou jogar xadrez de bruxo. Mas antes, vou enviar essa carta ao destinatário. E aqui terminam minhas memórias de guerra, não com uma história de guerra, mas sim uma história de amor.

A única arma que venceu a guerra.

Harry James Potter

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Blodeuwedd, a coruja
“Memórias de Guerra”, se bem me lembro, foi escrita inteira em uma madrugada só. Quando publiquei acho que nem cheguei a verificar direito ou me dei ao trabalho de ler e procurar por erros. Não foi betada porque na época eu não confiava em betas.
E apesar de tudo isso, não está lá tão ruim assim.
Meio melosinha talvez. Boa pra quem gosta de fluffys com um toque de drama pra dar aquele tempero especial a história (yep, hoje eu arrumei a seção de Culinária da loja). Spoilers? Deixe-me ver... alguns de HBP (Half Blood Prince/O Príncipe Mestiço). Acho que comecei a pegar o jeito nessa fic...

Capa - so much anime!

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Blodeuwedd, a coruja
Disclaimer: Não inventei ou produzi ou comprei the gazette ou seus respectivos membros. Esta fic não tem fins lucrativos.

Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: Óbviamente nenhuma

Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?

As NotasPrólogo - Cap I - Cap II - Cap III - Cap IV - Cap V -

Você me ama? - Capitulo VI

Cinco minutos pro show pessoal!

O ajudante fechou a porta do camarim, todos se apressaram para os últimos retoques, maquiagem e afinação. Ruki estava calado desde que chegaram, respondia a todos com acenos de cabeça e resmungos monossílabos. Seguiu os outros até a entrada do palco, sem olhar pra ninguém e fingindo que não escutava quando o chamavam. Reita, produzido e com o baixo pendurado no pescoço, o puxou para um canto mais isolado, se é que isso era possível ali nos bastidores.

Ei Ruki, o que aconteceu ontem? Você saiu derrep...

Acabou.

...O que?

Ruki respirou fundo e tentou engolir o choro. E dizer tudo que tinha ensaiado dizer a noite toda.

Nós. Se é que existiu um nós alguma vez. Acabou Reita.

...Mas...o que...porque?

Eu te amo muito Reita, mas não sou o tipo de pessoa que é capaz de amar por dois...sinto muito.

Reita estava atônico de mais pra responder de imediato. Estava pálido por baixo da maquiagem, mas Ruki tinha os olhos embaçados de água e não podia ver claramente. Finalmente o baixista abriu a boca para falar, ainda muito hesitante, e alguém o empurrou para dentro do palco. Ruki esperou até ouvir seu nome e entrou também, sobre aplausos gerais.

Quase final do show, o melhor show que já tinham feito, provavelmente. Ruki sentia que nunca tinha cantado com tanta emoção, e embora evitasse deliberadamente olhar para o baixista também nunca ouvira-o tocar melhor. Era um ótimo fim de carreira, pensou Ruki, porque nunca mais iria cantar no The Gazette novamente. Seria insuportável viver com Reita sem poder toca-lo nem beija-lo nem estar com ele, depois de tudo. Iria sair, voltar pra casa, e fazer alguma coisa útil e certinha como seus pais sempre quiseram...

Pelo canto do olho viu que Reita tinha feito um sinal com a mão, o sinal de reunião de palco. Mesmo achando que essa era a pior idéia do mundo, Ruki desceu do seu palquinho e se juntou aos outros, sorrindo falsamente pro publico. Reita enfiou um papel na mão de Ruki sem olhar pra ele e falou para todos.

Me acompanhem nessa, não é difícil. Ruki, a letra é essa aí, cante ela por mim...por favor.

E então voltou ao seu lugar, ajeitando a faixinha e deixando todos com uma expressão de surpresa e terror no rosto. Tocar algo que nunca tinham ensaiado, num show?! Mas assim que viu que todos tinham voltado aos seus lugares, Reita começou a dedilhar uma melodia lenta e sentida no baixo. Realmente, não era muito difícil, Uruha e Aoi logo pegaram os acordes principais, Kai improvisava. Ruki desdobrou a letra discretamente e a um aceno de Reita começou a cantar.

Night hours. The late hour... (Horas da Noite, Horas Tardias...)

The time stopped, they closed the curtains. (O tempo para, eles descem as cortinas)

An empty stage, a light fluttering. (Um palco vazio, uma luz tremeluzindo)

crawls the night in slow agony. (Rasteja a noite em lenta agonia)

Then you jump with your smile (Então você pula com seu sorriso)

And the things are so different! (E as coisas são tão diferentes!)

Because suddenly I know that thing (Porque de repente eu entendo aquela coisa)

that strange thing called love (Aquela estranha coisa chamada amor)

O som era de um rock melódico, a multidão parecia emocionada. Ruki sentia que não conseguia respirar. Aquilo...Reita tinha feito aquilo, era uma musica dele. E falava de amor! O amor que ele disse que era piegas, que tinha desdenhado tanto...tentou controlar-se, continuar a cantar.

Aishite iru, little baby (Eu te amo, amorzinho)

Your bad boy type and everything (Seu jeito de garoto mal e tudo o mais)

Because the stage is not emptier (Porque agora o palco não está vazio)

Anymore (mais)

I felt, I felt (Eu sentia, eu sentia)

My empty life to be flow out (Minha vida vazia escorrer)

But you is like you was (Mas é como se você fosse)

Hell and Heaven, for always yours (Inferno e céu, pra sempre seu)

Aishite iru, little baby (Eu te amo, amorzinho)

Your bad boy type and everything (Seu jeito de garoto mal e tudo o mais)

Because the stage is not emptier (Porque agora o palco não está vazio)

Anymore (mais)

The scenery disappeared, the audience get lost. (O cenário desapareceu, a platéia se perdeu)

Just you are there (E só você estava lá)

And just you was with me (E só você estava comigo)

The best feeling of all (O melhor sentimento de todos)

Aishite iru, little baby (Eu te amo, amorzinho)

Your bad boy type and everything (Seu jeito de garoto mal e tudo o mais)

Because the stage is not emptier (Porque agora o palco não está vazio)

Anymore (mais)

A ultima nota, somente o baixo e a voz de Ruki ainda ecoavam naquele estádio. O menor não conseguia mais conter as lagrimas, que corriam mesmo que silenciosas pelo rosto. Era a letra de Reita, era a declaração de Reita. Era a declaração de Reita para ele. Virou o rosto, olhando o baixista nos olhos. Aqueles olhos que achava que nunca olhariam pra ele daquele jeito, com todo aquele sentimento transbordando. Silenciaram, tudo era silencio. Mas Ruki não precisava de palavras naquele momento, ele entendia. Reita formou nos lábios as palavras “Eu te amo...sempre amei”. Sua voz não chegou a sair, os fãns não chegaram a perceber, mas Ruki pulou do palco direto para os braços dele, no abraço mais apertado e necessário de toda a sua vida. Sorriu de verdade pela primeira vez, agradeceu a todos, disse as palavras que devia. Sentia-se em paz.

Por fim deixaram o palco, todos juntos. Mal entraram no camarim e Ruki pulou novamente nos braços de Reita e começou a beija-lo tão desesperadamente que podia sentir o outro sufocar. Soltou-o e começou a dar soquinhos no peito dele, chorando de emoção.

Porque não me disse de uma vez?! Eu quase morri pensando que você não...que não...

Que eu não amava você?! Ruki-chan, eu amo você mais que a minha própria vida! Como você é tão tapado pra não perceber?!

Ele riu, mas chorava também. Puxou Ruki novamente e o beijou. Ruki ainda batia nele, mas não era de verdade, nunca foi de verdade. Por fim se separaram, e então se deram conta que não estavam sozinhos.

Kai olhava para os lados, constrangido. Aoi estava com o queixo tão caído que por pouco não chegava no chão, e balbuciava coisas pra si mesmo “mas...que?...como?”. Uruha tentava expulsar a mocinha da água do camarim, estava branco da cabeça aos pés e com os olhos tão abertos que pareciam que iam saltar do rosto. Ruki de repente se sentiu muito, mas muito quente.

...ãhn...er...b-bem...

...R-ruki e eu estamos j-juntos. Uma hora vocês iam ter que saber mesmo... – falou Reita em voz baixa e grave, tão vermelho quanto o vocalista, encarando desafiadoramente cada um.

Ruki deu um risinho muito sem graça. Eles ainda estavam se recuperando do choque. Mas iriam aceitar, eram uma família afinal, uma família unida e feliz. E agora, mais que nunca Ruki podia dizer: Eu sou feliz, porque a pessoa que eu amo, também me ama...e sempre amou.


~oOo~


Fanfic dedicada a Bianca Tanaka, mais conhecida como Taka, minha mentora, sansei, e mãe de mentirinha ^-^

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Disclaimer: Não inventei ou produzi ou comprei the gazette ou seus respectivos membros. Esta fic não tem fins lucrativos.

Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: Óbviamente nenhuma

Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?


As NotasPrólogo - Cap I - Cap II - Cap III - Cap IV - - Cap VI

Você me ama? - Capitulo V

Um dia para o show, a banda toda transpirava nervosismo e adrenalina. Quando ficavam ensaiando febrilmente por horas, Ruki quase conseguia esquecer suas duvidas. Ele e Reita estava na mesma de antes, mesma sintonia, fugindo escondidos para o quarto um do outro, Ruki tentando entrar em assuntos românticos sempre que achava que podia. Mas Reita não percebia, ou percebia e desviava o assunto, ou então estava nervoso de mais com o show pra ligar pra isso. É, talvez fosse nervosismo...Pensando assim, quando todos decidiram parar o ensaio e relaxar para o dia seguinte, Ruki discretamente puxou Reita para dar uma passeio e tomar um sorvete.

Andavam calmamente por um zôo quase deserto aquela hora, com dois sorvetes de casquinha pingando e melando a mão deles de açúcar.

- Está nervoso Rei-chan? – perguntou Ruki olhando de esguelha.

- Ah sim, como sempre. Porque?

- É que você perece distraído ultimamente...

- Você também não esta no seu normal Ruki – ele riu – nunca te ouvi falando tanto de romances água com açúcar nem fazendo coisas tão estranhas quanto anda fazendo.

- Coisas estranhas? – Ruki tentou não corar como uma garotinha com as palavras.

- É, bebendo mais que o normal, fuçando nas minhas anotações e com essa cara de ansioso, ou seja lá que cara é essa. Mas é um show importante, é normal ficar meio estranho. Uruha anda acordando todo dia as três da manhã pra tomar café, ele disse...

- É...é normal...- Ruki jogou a casquinha fora e subiu em cima da grade baixa que tinha ali, se equilibrando como um malabarista – Mas estamos no topo! Somos os caras!

- Hahahahahaha, Ruki, desce daí.

- Eu não, vem você aqui em cima.

- Ah, vem cá! – Reita pegou a mão dele e puxou, segurando-o no colo quando caiu.

- Hey, me solta!

Reita simplesmente levou os dedos melecados de sorvete do vocalista até a boca e os chupou.

- Você é doce Ru-chan...

- ...Rei-chan...

Ruki desceu do colo dele, com um certo esforço, e viu uma porta fechada escondida em um canto com a placa “Só para funcionários”. Sem pensar o puxou para dentro e entre baldas e esfregões, Ruki encostou Reita na parede e sorriu malicioso. Pegou os dedos dele e chupou-os também, mas devagar e mais sedutoramente.

- Hmmm...você também é doce Rei-chan...será que é doce no corpo todo?

Lentamente, desceu o rosto pelo tórax de Reita, que já estava respirando descompassadamente. Abriu o zíper dele devagar, roçou os lábios sobre o pano da cueca, mordendo de levinho. A reação foi quase imediata, Reita segurou o cabelo dele com uma mão enquanto a outra ele usava pra se apoiar numa pilha de caixas e se manter em pé. Ruki puxou a cueca dele com os dentes, começando a lamber a glande vagarosamente. Ouviu um gemido, Reita empurrou um pouquinho sua cabeça para frente, Ruki envolveu o membro do outro com a boca e começou a chupar. Reita gemia cada vez mais alto, a voz já grave agora rouca de prazer. Ruki segurou a base do membro com a mão e começou lentamente a ir e voltar com a cabeça, sempre chupando, lambendo e roçando os dentes no sexo do baixista completamente excitado. O menor podia sentir, Reita agarrando com mais força seus cabelos, a pulsação, os gemidos incoerentes...um estalo de coragem veio de repente.

Ruki descolou a boca do membro úmido e olhou pra cima, sua voz saiu como um sussuro.

- Você me ama Reita?

- ...ãhn?...c-continua...

Reita parecia não ter consciência de nada, empurrou Ruki contra seu membro mais uma vez. O menor fez o que foi mandado, em poucos segundos sentiu a boca toda preenchida pelo sêmen quente do outro. Engoliu, ainda sem reação.

Aquilo parecia claramente um não. Ah quem estava tentando enganar, Reita nunca o tinha amado, nem uma vez sequer! Voltou o rosto para cima para Reita, como um suplicante ajoelhado, para o ser mais inatingível do mundo...

- ...Ru-chan...você é um gênio...

Reita ouviu a porta bater, e achou que tinha visto um lagrima solitária rolando pela face de Ruki antes dele sair correndo.

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Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

Classificação: +18

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Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?

As NotasPrólogo - Cap I - Cap II - Cap III - ♦ - Cap V - Cap VI

Você me ama? - Capitulo IV

“Dor de cabeça horrível,claridade absurda,boca seca...ressaca”

Ruki tirou essa conclusão no momento em que voltou a fechar os olhos e tentou fechar também os ouvidos. O menor barulho parecia o som que ouviria se sua cabeça estavesse dentro de um sino de catedral, tocando sem parar. Ouviu alguém entrar, fechar a porta e colocar alguma coisa sobre a cama.

Já acordou?

...não.

Você deve ta precisando disso...

Kai pegou a aspirina e o copo d’água da bandeja e ofereceu a ele. Ruki se levantou lentamente, tomou o remédio e voltou a fechar os olhos.

Agora que tal me explicar o que foi que te deu ontem Ruki-kun?

...eu resolvi beber, só isso.

É, isso a gente viu. Mas o que eu...todo mundo quer saber é porque você resolveu beber sozinho e agiu daquele jeito? Qual o problema Ruki-kun?

Que jeito?...O que eu fiz?

Ah, não se lembra...

Kai sentou-se na cama e olhou pra ele como quem não entende do porque seu cão treinado mordeu a mão do carteiro. Ruki tentou forçar a memória, apesar das pontadas dolorosas em suas têmporas. O rosto de Reita surgiu, imóvel, talvez...triste? Oh, não...

Você disse que eu era intrometido, e também que Reita era um covarde...o que eu não entendo é porque? Nem mesmo bêbados pegam as coisas do nada.

...eu chamei Reita de covarde?

Chamou.

...droga – disse baixinho mais para si mesmo que para Kai. – D-desculpa, eu tava fora de mim...

Quase me bateu ontem quando eu disse exatamente isso.

...oh...desculpa...perdão Kai-kun...de verdade.

Ah, esquece, você estava mesmo fora de si. Mas porque não conta porque tudo isso? Tem um porque, tem que ter. Tenho notado que você parece angustiado nos últimos dias...

Eu estou bem. – respondeu olhando para baixo.

É por causa do Reita?

E porque seria por causa do Reita?! – Ruki corou, Kai deu um sorrisinho.

É, porque seria né...mas é bom você resolver seja lá o que for logo, porque o show é semana que vem.

É, eu sei...

Come um pouco.

To sem fome.

Tem que comer.

Depois eu como.

Vou voltar aqui pra cobrar isso.

Ta.

Kai abriu a boca pra dizer mais alguma coisa, mudou de idéia. Se levantou saiu, olhando ainda em duvida para Ruki e fechou a porta atrás de si.

Ruki mergulhou num sono dolorido e cheio de imagens de Reita sem expressão, olhando pra ele, usando-o, rindo dele, triste e decepcionado...Barulho de porta sendo fechada. Ruki continuou com o rosto enterrado no travesseiro e falou com a vos abafada e pastosa.

Eu não quero comer agora Kai...

Pois devia.

Ruki deu um pulo, sentou-se na cama e olhou para Reita, tentando arrumar um jeito de pedir perdão. O rosto do baixista parecia feito de gelo, duro como estava.

Rei-chan...m-me perdoa...eu...realmente não queria...

Queria sim, era o que você queria me dizer.

...Rei-chan... – sua voz era suplicante.

É porque não conto pra ninguém de nós dois? Eu pensava que você também achava isso o melhor, quer dizer, continua sendo só...nós.

E é o melhor, eu acho que seja...Reita-kun.

Então?

Ru-chan...

Por favor me perdoa...- lagrimas ameaçavam cair dos olhos do vocalista, Reita sentou-se na cama, o puxou pra si e o abraçou.

Já está perdoado há muito tempo Ruki...lembra, nós somos amigos, amigos se perdoam pelas burradas que dizem uns para os outros quando estão bêbados...sempre foi assim.

..é, somos amigos...obrigado Rei-chan...

Algo do seu coração já machucado pareceu quebrar de vez, e a dor foi quase suficiente para leva-lo ao choro compulsivo. Então, na verdade era um sentimento fraternal, com sexo de boa qualidade no meio. Bem, ele nunca tinha feito promessas...mas, eram tão próximos, se entendiam tão bem! Era só amizade?! Talvez não fosse...ele não tinha dito que amava, nem que não amava...Ruki desejou ter um estoque bem grande de aspirinas enquanto tentava entender tudo aquilo.

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Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

Classificação: +18

Beta Reader: Óbviamente nenhuma

Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?

As NotasPrólogo - Cap I - Cap II - ♦ - Cap IV - Cap V - Cap VI

Você me ama? - Capitulo III

Ruki estava sentado num bar, tomando uns goles de algo que ele achava que era Scott doze anos. Não que depois de cinco doses fizesse alguma diferença se era whisky bom ou se era água de privada com gasolina. Pensava na noite anterior, com Reita, a pergunta ficando vazia, sem resposta, no escuro...

Reita dormia como um anjo ali, mas será que dormia mesmo? Ruki já tinha suas duvidas agora. Podia ter se esquivado da pergunta novamente. Mesmo completamente bêbado, o vocalista ainda podia sentir o medo pegajoso em seu peito quando deslizou para fora da cama e foi para o seu quarto. ‘Ele me ama sim...tem que amar...ele precisa me amar...’. Ruki olhou para o copo vazio, o sexto, resolveu que já tinha bebido de mais. Se levantou cambaleante, tropeçou nos próprios pés, podia jurar que bateria com toda a força no chão duro e sujo do bar quando braços fortes o seguraram.

Ruki-kun! Procuramos você por toda parte!

Ruki olhou tentando desembaçar o rosto na frente dele.

...Kai-kun?

Por Kami-sama, você ta caindo de bêbado! Vêm, vamos embora daqui antes que algum repórter idiota tire a foto do grande Ruki-des vomitando no chão de um bar barato.

Bar barato era um pouco de mais, o lugar era bem razoável e varias celebridades o freqüentavam, mas Ruki não protestou e seguiu apoiado no braço do amigo para fora do bar. A rua estava escura, um poste iluminava mal com sua luz amarela um vulto encostado num carro. Kai o amparava para que não tropeçasse, mas Ruki ficou mais desperto com aquele vulto, que se moveu assim que o viu melhor. Era Reita, de óculos escuros e gola da jaqueta preta puxada sobre o rosto anormalmente carregado.

Uma força ébria e desordenada apareceu de repente no vocalista, que se desvencilhou do braço de Kai e foi rápido até o outro.

SEU COVARDE!

Reita subiu os óculos escuros e ficou olhando pra ele com as sobrancelhas erguidas, totalmente surpreso. Kai logo correu até ali.

Ele bebeu whisky de mais, está completamente fora de si Reita-kun...

Ruki se virou pra ele, furioso.

EU NÃO ESTOU FORA DE MIM! NÃO SE META NA VIDA DOS OUTROS! ESTOU CANÇADO DE VOCÊ SE METENDO NA MINHA VIDA KAI!

Kai deu uma passo pra trás assustado. Ruki ficava bêbado com uma certa regularidade, mas nunca tinha ficado desse jeito. Reita segurou os ombros dele com força, puxando-o em direção ao carro.

Vem Ruki, vamos embora antes que você diga algo que se arrependa depois...

A única coisa que me arrependo é de ter conhecido você, Suzuki. – sua voz agora estava fria, embora tremida.

Reita olhou pra ele novamente como se nunca o tivesse visto. Se encararam por alguns minutos, então o vocalista sentiu Kai agarrando-o por trás. Enquanto se debatia, Reita abriu a porta de trás do carro e Ruki foi jogado dentro dele. Ele podia ver o mundo se apagar lentamente. Seu ultimo som foi um murmúrio, tão baixo que ninguém pode ouvir.

Eu só... queria que você dissesse...

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Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

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Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?


Você me ama? - Capitulo II

Dois dias. Fazia dois dias que não passavam a noite juntos. Tudo bem, tinha vazado o nome do hotel onde estavam hospedados, os paparazi não se desgrudavam de suas câmeras e de suas vitimas com facilidade, mas mesmo assim...

Ruki estava sentindo falta dele, dos beijos dele, do corpo dele, dos olhos dele... Tanta falta que na terceira noite, deitado na cama olhando pro teto, achou que fosse enlouquecer. Banhos frios podiam resolver um problema, mas problemas de coração não eram tão simples.

No dia anterior tinha vindo um repórter fazer uma entrevista. Um moça dessas que escrevem pra revistas adolescentes. Tinha feito algumas perguntas típicas tipo se eles tinham algum tipo de relacionamento entre si. Reita tinha negado veementemente, até foi estranho porque ele nunca falava nada em entrevistas. Então a mulher tinha perguntado se algum deles estava apaixonado. Ruki deu um sorriso enigmático, Kai fez um amplo nõ com a cabeça, Aoi e Uruha ergeram as mãos como se dissessem que ‘nunca!’. Reita sorriu e disse ‘se apaixonar e uma grande bobagem. Eu vivo pra musica’ parecia estar sendo muito verdadeiro.

Se levantou da cama as três da manhã e caminhou muito silenciosamente até o quarto ao lado, onde Reita dormia. Tentou abrir a porta, estava trancada. Bateu o mais silenciosamente que pode, temendo cada sombra como se fosse um fotografo maluco ou uma arrumadeira insana. Esperou alguns minutos, estava dando meia volta quando ouviu o barulho do trinco girando e um Reita descabelado de pijamas e sem a conhecida faixa olhar desconfiado. Não esperou nem meio segundo para deslizar para dentro, fechar a porta e puxar o baixista para si, colando os lábios. Reita imediatamente enlaçou sua cintura e o empurrou contra a parede, de algum lugar longínquo Ruki pode ouvir-lo trancar a porta novamente.

Porque não m-me procura...

E-eu...Ruki-chan...

Então tudo ficou quente e confuso de mais pra ele poder distinguir.

Um tempo depois, Reita caía ao seu lado, exausto, os dois arfando. Ruki enlaçou as pernas do outro com as próprias e sussurrou rouco.

Rei-chan...

Hn?...

Isso foi incrivel...

É...você gemeu tão alto que acho que todo mundo no hotel escutou. – disse isso num tom de voz brincalhão, roubando um beijo em seguida.

...você se importaria que todos descobrissem que estamos jun...transando?

Não seria bom pra banda, eu acho...ou talvez fosse...-Reita pareceu pensar por um instante – seria um fanservice e tanto...mas ninguém vai descobrir não é? Podemos ficar tranqüilos.

...é, podemos... – Ruki pensou em como parecia que o relacionamento dos dois importava pouco para Reita.

Sabe, esses dois dias, perdi as contas dos banhos frios que tomei.

He, eu também. E...

Mas ta tudo resolvido. Gomem, você queria dizer alguma coisa Ru-chan?

Não, nada...

Vamos Ru-chan...vamos descançar um poucos... – Reita fechou os olhos e puxou Ruki mais para perto de si.

Certo... – Ruki encostou a cabeça no peito do outro, mordendo o lábio. Uns dois minutos se passaram até ele se decidir – Reita, você me ama?

Mas ele já tinha dormido.

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Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

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Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?


Você me ama? - Capitulo I


Muitas horas mais tarde, Ruki olhava pensativo para o baixista, que afinava seu instrumento num canto do estúdio. Lembrava-se da manhã, de como era gostoso acordar fazendo sexo, de como sua tentativa de cozinhar tinha sido um fracasso, do olhar feio dos colegas de banda ao chegarem atrasados de novo no ensaio porque Reita tinha insistido em tomar banho junto com ele, o que resultou em mais algum tempo de... distrações. Mas uma coisa que martelava sua mente era algo que Reita tinha dito. Ou melhor, não dito.

Sim, porque essa manhã era a primeira vez que Ruki disse o que sentia, disse as mágicas palavrinhas ‘eu te amo’. Mas Reita não disse o mesmo, disse? Não, nem sequer disse um ‘também’ distraído, simplesmente continuou o que fazia (e fazia muito bem, Ruki não pode deixar de pensar), não tocando no assunto de novo. Será que Reita estava envolvido de mais em masturba-lo pra responder? Não, ele tinha feito uma espécie de...fuga. Pelo menos, pensando melhor, era o que parecia agora, uma fuga. Porque? ‘Talvez ele simplesmente não me ame’ pensou, e seu coração doeu como se uma flecha tivesse passado por ele. Durante todo o tempo que estiveram juntos, Ruki tinha certeza que era correspondido, afinal Reita o levava ao céu sempre, com um simples beijo. Mas até agora tinha sido puramente sexual, ou não? O vocalista pensou em todos os anos que amizade, no primeiro beijo deles (bêbados é claro), nos dias de timidez constrangida depois disso, no dia em que alguns copos de wisk fizeram Reita avançar na sua boca como um faminto na comida. E é claro, a primeira vez, que realmente tinha sido a primeira vez de Ruki com um homem, tão maravilhosamente dolorida e quase sem incentivo de álcool. Sim, depois daquela noite, vieram as outras, cada vez mais quentes, cada vez mais parecendo uma luta desesperada pra fazer o outro sentir mais prazer. E mais, e mais...entre quatro paredes eram como um furacão F6, qualquer um que visse juraria que se amavam eternamente (se conseguisse sobreviver pra contar a história), mas fora dali, não havia nada daquilo.

Tudo bem, não podiam contar, o único que os dois tinham certeza que sabia (e era um mistério como) era Kai, que as vezes, geralmente quando os dois chegavam atrasados juntos no ensaio, olhava para eles com um sorrizinho de censura, algo do tipo ‘namorados, hump’. Mas Uruha era muito inocente quando se tratava das pessoas que conhecia, e Aoi era como sempre tapado de mais pra juntar dois mais dois. As outras pessoas não eram próximas o suficiente pra perceber nada.

Tentou se concentrar, estava devaneando. Ouviu Kai marcando os compassos, guardou cada pensamento diferente de musica em algum lugar do cérebro e começou a treinar. Afinal, só tinha uma coisa acima da musica pra ele, Reita.

Terminaram o ensaio algumas horas depois, Uruha foi pra casa e Aoi pegou seu carro e saiu para ‘fazer alguma coisa interessante’. Kai ficou organizando o estúdio, Reita ajudando, enquanto Ruki usava o que restava da sua energia pra ler mais uma proposta para tocar em algum lugar. Como era chato aquelas coisas! Mas o empresário deles queria que pelo menos um dos integrantes da banda lê-se, e era a vez dele. Mas não pode evitar de erguer os olhos do documento e olhar Reita, que juntava cifras numa pasta e colocava seu precioso baixo dentro da sua caixa de veludo. Então uma idéia rápida como um relâmpago passou pela mente de Ruki, e tão rápida foi que as palavras saíram da sua boca antes que pudesse segura-las.

-Hey, Reita, você não estava compondo uma coisa?

Kai nem se virou, entretido em organizar suas baquetas, mas Reita olhou par ele, pensativo.

-Tava...mas não saiu nada ainda.

-Mas...se é falta de inspiração, você pode usar o tema velho. Todo mundo gosta de canções de amor.

Falar em amor, o principal era fazer Reita dizer se se inspirava em alguém pra compor musicas de amor.

-Amor?! C-canções de amor são tão batidas...

Kai ergueu a cabeça no seu canto, percebendo a leve hesitação de Reita ao dizer aquilo, mas Ruki não percebeu, nem a hesitação nem o interesse repentino do baterista. Murmurou um ‘é’ pra Reita e voltou os olhos para o papel.

No seu coraçãozinho apertado parecia que aquela resposta indicava muito claramente que o baixista não estava amando, já que ele, quando estava apaixonado, escrevia letras e letras de canções de amor. Ou será que estava só delirando? Ruki podia sentir a cabeça girar com essas perguntas. Terminou a muito custo de ler e deixou o estúdio assim que pode, só queria voltar pra casa, tomar um banho e tentar parar de pensar...

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Shippers: Reita x Ruki

Categoria: Romance, Yaoi (Slash)

Classificação: +18

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Sinopse: Ruki sabe que ama Reita, mas será que o baixista corresponde, ou só quer sexo?

As Notas♦ - Cap I - Cap II - Cap III - Cap IV - Cap V - Cap VI

Você me ama? - Prólogo


A temperatura morna do sol foi a primeira coisa que Ruki sentiu ao acordar. Um sorriso veio a sua face, antes mesmo de abrir os olhos, podia sentir outro calor em seu corpo, o calor de um corpo quente dormindo ao seu lado. Já fazia quanto tempo? Ah sim, dois meses, dois meses completos, em que quase sempre acordava sentindo o calor do corpo de Reita ao seu lado. Abriu os olhos, piscando um pouco por causa da luz vinda da janela, e olhou para o baixista adormecido ao seu lado. Os cabelos claros espalhados pelo travesseiro, a peito liso subindo e descendo lentamente, deixando claras as linhas dos músculos, até o nariz que Reita teimava em esconder de todo mundo, mas que Ruki podia ver ser perfeito, como todo o , como ele o amava! Seria capaz de tudo por Reita, das maiores loucuras, era só o baixista pedir. Ruki roçou de leve seus lábios contra os dele, ainda sorrindo.

Reita abriu os olhos lentamente, piscando ainda mais que o vocalista, e deu um sorrizinho leve ao ver o mais novo ao seu lado. Depois afundou a cabeça do travesseiro, resmungando alguma coisa inaudível. Ruki balançou a cabeça, sempre preguiçoso, como tinha tanta energia a noite? Debruçou-se sobre Reita murmurando em seu ouvido “Já é dia, vamos levantar! Eu faço nosso café”. Mas ao fazer menção de levantar as mãos de Reita se entrelaçaram em seu pescoço e não o deixaram sair de onde estava, e num movimento rápido pra quem acabou de acordar, o baixista conseguiu deitar Ruki de costas e se deitar por cima dele, seus narizes quase se tocando.

“Você não vai sair dessa cama.” Seu sorriso era sugestivo.

“Como você tem tanta energ-gia?!” perguntou Ruki, sentindo as palavras falharem ao toque da língua do outro no seu pescoço.

“Você é bem estimulante, Ru-chan...” Reita beijava lentamente o pescoço do menor, acompanhando as marcas da noite anterior. “além do mais, você cozinha horrivelmente mal” disse, dando um sorrisinho e beijando de leve a boca do outro.

“Ãh?! Seu...você também é péssimo na cozinha sabia?” Ruki tentava fazer cara de bravo, mas não conseguia, com aqueles olhos fixos nele. Seu corpo já reagia aos toques leves do baixista, e ele já sentia aquele leve torpor de quando era tomado por Reita.

“Então, vamos esquecer o café e ficar aqui mesmo” a boca de Ruki foi tomada por completo, aquela língua conhecida explorando mais uma vez sua boca, excitante. Alguns minutos depois se separaram para tomar fôlego, Reita já passando as mãos pelo corpo pequeno e Ruki respondendo muito bem a tudo. Sem aviso, o baixista segurou o membro duro do menor e deu uma estocada, fazendo Ruki gemer alto de surpresa e prazer.

“AAAaaaahhhh!” sim, era bom de mais! “Eu...eu te amo Reita!!!” deixou escapar, mordendo os lábios de olhos fechados.

“Repete isso e vai ter mais” grunhiu o mais velho, sensual.

“Eu te amo!” disse Ruki, mais alto, abrindo os olhos e sorrindo.

“Você pediu!” Reita deu mais duas estocadas rápidas, fazendo o vocalista gemer mais alto ainda. É, tudo era absolutamente perfeito!

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